O uso excessivo do celular pode estar ligado a um aumento do risco de depressão entre indivíduos com 60 anos ou mais. No entanto, essa relação parece depender mais da maneira como o smartphone é utilizado do que do tempo gasto em frente à tela. Um estudo publicado na revista científica JMIR Aging indica que o uso do aparelho como substituto para interações sociais, em vez de uma ferramenta para manter contato com amigos e familiares, está associado a um maior desenvolvimento de sintomas depressivos na terceira idade.
A pesquisa envolveu a análise de questionários de 2585 adultos com 60 anos ou mais, residentes em 87 comunidades de cinco distritos de Guangzhou, na China. Os pesquisadores identificaram grupos que apresentavam maior vulnerabilidade à depressão, avaliando três aspectos principais: sintomas depressivos, uso do smartphone e participação em atividades sociais. A depressão foi classificada em três níveis: ausência de sintomas, depressão leve e depressão clínica.
No que diz respeito ao uso do celular, a análise considerou tanto a intensidade da dependência quanto o tipo de atividade realizada, como entretenimento passivo — assistir a vídeos e ouvir música — ou interações sociais, incluindo mensagens, redes sociais e videochamadas. Além disso, os participantes forneceram informações sobre a frequência de participação em atividades sociais, além de dados demográficos como idade, sexo, escolaridade, renda e condições de saúde.
Os resultados do estudo destacam que homens viúvos são o principal grupo de risco para a depressão em idosos. A dependência do smartphone é um fator significativo, mas, sozinha, não explica o problema. O risco de depressão aumenta quando esse uso compulsivo se combina a outras características, como isolamento social, nível de escolaridade e renda. Um dos grupos identificados como particularmente vulneráveis é composto por homens mais velhos com baixa escolaridade, que apresentaram sinais de dependência de smartphones, representando quase 49,9% dos casos de depressão.
O estudo sugere que, para mitigar o risco, é mais eficaz organizar oficinas comunitárias, especialmente entre avós e netos, onde se ensine habilidades funcionais, como videochamadas e compartilhamento de fotos. Para indivíduos com maior renda e escolaridade, mas que vivem em isolamento social, recomenda-se a busca por atividades que proporcionem um “senso de propósito” e incentivem a participação ativa, como atuar como mentores, voluntários ou compartilhar conhecimentos em comunidades online.
No caso de homens idosos solteiros, a pesquisa recomenda que profissionais de saúde realizem uma triagem proativa, observando o uso excessivo do smartphone, especialmente quando esse uso substitui interações pessoais. Além disso, é defendida a criação de oficinas de inclusão digital para fomentar redes de apoio e reduzir a solidão. Os autores do estudo também sugerem que desenvolvedores de tecnologia considerem a inclusão de “princípios de design sensíveis à idade” e práticas algorítmicas responsáveis para promover o bem-estar digital.



