Na última terça-feira, 7, a oposição na Câmara dos Deputados apresentou requerimentos visando convocar o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para que preste esclarecimentos sobre a atuação do Itamaraty em relação à decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras.
Os pedidos foram protocolados nas comissões de Segurança Pública e de Relações Exteriores e de Defesa Nacional. Durante uma coletiva de imprensa, os deputados Evair de Melo, do Republicanos do Espírito Santo, e Alberto Fraga, do PL do Distrito Federal, expressaram que o Itamaraty não respondeu de maneira clara às indagações da Câmara sobre a postura do governo brasileiro diante da medida adotada pelos EUA.
Evair destacou que o requerimento enviado ao Ministério das Relações Exteriores buscava informações sobre a comunicação oficial entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos, as manifestações diplomáticas do Brasil, os impactos econômicos e financeiros da decisão e a articulação entre diversos órgãos do Estado. "A resposta do Itamaraty trouxe uma grande preocupação, considerando a precariedade e a fragilidade das informações encaminhadas à Câmara dos Deputados", afirmou o deputado.
O parlamentar ressaltou que o Parlamento necessita dessas informações para analisar uma série de proposições ligadas ao combate ao terrorismo e ao crime organizado. De acordo com Evair, as respostas recebidas revelam mais lacunas do que esclarecimentos, o que justifica a necessidade de um aprofundamento na fiscalização por parte do Legislativo.
Além disso, Evair de Melo mencionou que a oposição começará a coletar assinaturas para a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) com o objetivo de investigar a atuação do governo federal no combate ao crime organizado transnacional. A medida será adotada caso os esclarecimentos fornecidos pelo Ministério das Relações Exteriores não sejam considerados satisfatórios.
O deputado também comentou que o Itamaraty deveria apresentar ações concretas para enfrentar os possíveis efeitos da decisão dos Estados Unidos, ao invés de se concentrar em um discurso que defende a soberania nacional. Alberto Fraga, por sua vez, reforçou as críticas ao governo, afirmando que o Brasil já é parte das rotas internacionais do narcotráfico.



