A Associação Nacional dos Prefeitos e Vice-Prefeitos (ANPV) protocolou nesta quarta-feira (8) um pedido para intervir no julgamento que ocorre no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a lei da dosimetria, que foi aprovada em maio pelo Congresso Nacional. Esta norma estabelece a diminuição das penas para aqueles condenados pelos ataques ocorridos em 8 de janeiro de 2023. A ANPV solicitou à corte sua participação como parte interessada no processo, que está sob a relatoria do ministro Cristiano Zanin, e pleiteia a declaração de inconstitucionalidade da referida lei.
A associação argumenta que o processo legislativo que resultou na aprovação da lei foi irregular. O veto do presidente ao projeto tinha caráter total, porém, os parlamentares conseguiram derrubá-lo apenas em partes. Adicionalmente, o Senado alterou o conteúdo da proposta sem devolvê-la à Câmara dos Deputados para uma nova análise.
No mérito da questão, a ANPV sustenta que a nova legislação estabelece um tratamento mais brando para os indivíduos que atacaram as instituições do que o que é aplicado a criminosos comuns. A entidade considera que a lei foi elaborada especificamente para beneficiar aqueles condenados pelos eventos de 8 de janeiro.
Além disso, a ANPV enfatiza que os municípios são diretamente impactados pela sensação de impunidade gerada por essa lei, uma vez que enfrentam os custos decorrentes da reincidência criminal. A associação alerta que novos incidentes semelhantes podem afetar não apenas os órgãos do governo federal, mas também prefeituras e câmaras municipais, aumentando a vulnerabilidade das administrações locais.
A expectativa é que o julgamento no STF considere não apenas a constitucionalidade da lei, mas também suas implicações diretas nas estruturas municipais e na segurança pública, refletindo a preocupação dos gestores sobre os efeitos de uma legislação que pode favorecer a impunidade em casos de crimes contra a democracia.



