A Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados aprovou, na última quarta-feira, 8, uma moção de repúdio direcionada ao Ministério das Relações Exteriores, além de convocar o ministro Mauro Vieira para prestar esclarecimentos sobre um parecer emitido pelo Itamaraty. O documento diz respeito à classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas pelos Estados Unidos.
A moção foi proposta pelo presidente da comissão, deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança. Em seu texto, o parlamentar critica a mudança na abordagem do Itamaraty, que, segundo ele, deixou de lado a tradição de atuação técnica e institucional, adotando uma postura “militante e ideologizada” na política externa do Brasil.
De acordo com a moção, a nova retórica diplomática do Brasil quebra com a tradição histórica da chancelaria e pode prejudicar os interesses nacionais. Orleans e Bragança enfatizou que a condução da política externa sob a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do assessor especial Celso Amorim e do ministro Mauro Vieira priorizou uma agenda ideológica, sacrificando o rigor técnico e a capacidade de negociação pragmática.
O deputado também ressaltou a investigação comercial iniciada pelo governo dos Estados Unidos com base na Seção 301 do Trade Act, que foi aberta em julho de 2025. Essa investigação analisa possíveis práticas comerciais brasileiras que podem levar ao aumento de tarifas sobre produtos do Brasil.
A polêmica teve início com um requerimento de informações apresentado pelo deputado Evair de Melo. Na resposta do Itamaraty, foi afirmado que uma possível designação das facções como terroristas pelos EUA poderia justificar ações militares norte-americanas em território brasileiro, avaliação que foi contestada pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, que considerou essa hipótese como “absurda”.
Durante a reunião da Comissão de Relações Exteriores, Evair criticou a resposta do ministério, classificando-a como “frágil” e “genérica”. O parlamentar afirmou que o ministro Mauro Vieira, muitas vezes, atua como uma figura meramente decorativa no Itamaraty, enquanto a política internacional do Brasil é, na verdade, conduzida pelo ex-chanceler Celso Amorim.



