Na última quinta-feira (9), a Polícia Federal apreendeu uma espingarda semiautomática calibre 12, modelo Maestro Arms Company, que continha a imagem de Jair Bolsonaro gravada no carregador. Este item, que foi oferecido como presente ao ex-presidente em 2021, tornou-se a última arma registrada em seu nome e a apreensão ocorreu durante uma operação que teve início no dia anterior, 8 de dezembro de 2023, visando a busca e apreensão de itens relacionados a Bolsonaro.
A origem da espingarda remonta a 21 de agosto de 2021, quando Eduardo Bolsonaro recebeu a proposta de doação em uma feira do setor armamentista. Na ocasião, a empresa de armamentos do Rio Grande do Sul manifestou interesse em presentear o então presidente com a espingarda, que na época estava liberada para uso civil. A restrição ao modelo só foi imposta em 2023, após mudanças na legislação.
Durante o evento, foram discutidos os detalhes da doação, incluindo o processo para o registro da arma em nome de Jair Bolsonaro. Contudo, o registro nunca foi finalizado devido a questões jurídicas que surgiram após a proposta. Embora a arma tenha sido preparada para uma apresentação formal, Bolsonaro, enfrentando impedimentos legais, não conseguiu retirá-la. Sem a guia de trânsito necessária, o ex-presidente não pôde buscar o presente, e a espingarda permaneceu sob a guarda da empresa no Rio Grande do Sul.
Com a manutenção da prisão domiciliar de Bolsonaro, o ministro Alexandre de Moraes determinou a apreensão de todas as armas registradas em seu nome. A espingarda, que passou a ser considerada um item perdido, estava em situação indefinida até a operação da PF. Na quarta-feira (8), um representante da empresa doadora entrou em contato com a Polícia Federal, informando que possuía a arma, mas não tinha a guia de transporte necessária para levá-la à delegacia.
Diante da situação, um delegado da PF se deslocou até Cachoeirinha (RS) para buscar a espingarda pessoalmente, evitando a necessidade de uma varredura no local. A apreensão marca o desfecho de um longo processo envolvendo a doação e o registro da arma, que nunca chegou a ser formalizado em nome do ex-presidente.



