A Confederação Nacional da Indústria (CNI) manifestou preocupação com as tarifas recentemente impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, considerando que essa medida agrava as condições da indústria nacional e aumenta a incerteza para as empresas de ambos os países. O posicionamento foi divulgado na noite de quarta-feira (15).
Ricardo Alban, presidente da CNI, afirmou que a sobretaxa de 25% compromete ainda mais a competitividade da indústria brasileira e dificulta a recuperação das exportações para o mercado norte-americano. Alban projetou que o cenário tende a piorar, o que poderá corroer ainda mais a capacidade competitiva das indústrias no Brasil.
Dados da CNI revelam que 20 dos 27 estados brasileiros enfrentaram redução nas exportações para os Estados Unidos no primeiro semestre deste ano, resultado da aplicação de restrições comerciais anteriores. As exportações do Brasil para o mercado norte-americano registraram uma queda de 13%, totalizando US$ 2,6 bilhões. Este declínio foi impulsionado, em grande parte, pela diminuição de 8,7% nas vendas de produtos industriais, incluindo semimanufaturados de ferro e aço e produtos derivados de petróleo.
A confederação também destacou que cerca de 4,2 mil produtos brasileiros serão impactados pelas novas tarifas. Ricardo Alban ressaltou a necessidade de esforços para reverter essa tendência e restabelecer a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos.
No Estado do Paraná, a situação é ainda mais crítica, com estimativas de que 80% das exportações da indústria local para os EUA serão afetadas pela nova sobretaxa, o que pode acarretar um prejuízo de até US$ 1,3 bilhão. A Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) alertou para a severidade da situação.
A imposição das tarifas pelos EUA baseia-se na Seção 301 da lei do Comércio dos Estados Unidos, uma decisão que seguiu recomendações do Escritório do Representante do Comércio dos EUA (USTR). O governo americano justificou a medida alegando que o Brasil adota práticas que prejudicam os interesses comerciais dos EUA, como questões de propriedade intelectual e acesso ao mercado de etanol.



