A experiência em Jericoacoara vai além das belezas naturais da região, trazendo à tona uma discussão relevante sobre a gestão de resíduos plásticos. Desde 2023, a vila, localizada no Ceará, implementou uma legislação que proíbe a entrada, comercialização e uso de plásticos descartáveis. Essa norma abrange sacolas, canudos, copos, pratos, talheres, embalagens de isopor e garrafas plásticas com capacidade de até 510 mililitros.
A medida impacta tanto os moradores quanto os visitantes, buscando uma mudança de mentalidade sobre o consumo e descarte de materiais. Em vez de focar apenas na coleta e reciclagem, a proposta de Jericoacoara é evitar que os resíduos plásticos cheguem ao ambiente. Essa abordagem visa atuar antes mesmo do descarte, destacando a importância da prevenção na geração de resíduos.
No Brasil, a discussão sobre Resíduos Sólidos ainda se concentra na fase final da cadeia de gerenciamento, embora a Política Nacional de Resíduos Sólidos, aprovada em 2010, já tenha estabelecido uma ordem de prioridades que inclui não gerar, reduzir e reutilizar. A reciclagem é uma parte crucial, mas a realidade demonstra que apenas 9% dos resíduos plásticos gerados globalmente em 2019 foram reciclados, segundo dados da OCDE.
Jericoacoara não é a única localidade a tomar medidas nesse sentido. Fernando de Noronha, por exemplo, já havia implementado restrições ao uso de plásticos descartáveis em 2019. Além disso, a cidade de São Paulo também proibiu a distribuição de produtos plásticos de uso único em estabelecimentos como bares e restaurantes. Essas iniciativas refletem um movimento crescente em várias regiões do Brasil, onde a proteção ambiental varia conforme o local.
A nível nacional, o Brasil avançou com a criação da Política Nacional de Resíduos Sólidos em 2010 e a Estratégia Nacional de Economia Circular, prevista para 2024. Em 2025, novas regras específicas para a logística reversa de embalagens plásticas devem ser implementadas, assim como o projeto de Política Nacional de Desplastificação, atualmente em tramitação no Senado.
A norma instituída em Jericoacoara também se alinha aos conceitos de ESG (ambiental, social e governança) aplicados ao território. A redução do uso de plásticos não só minimiza a pressão sobre ecossistemas frágeis, mas também exige mudanças comportamentais de comerciantes e turistas, além de permitir a participação da cooperativa de catadores na fiscalização da área.



