O escritório de Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, emitiu duas notas fiscais no valor de R$ 500 mil para uma empresa associada ao Caso Master, mas esses documentos foram posteriormente cancelados. Apenas dois dias depois, uma nova nota foi emitida pelo mesmo valor, desta vez para um CNPJ diferente, a Contábil Correa. O senador Flávio Bolsonaro afirma não ter cometido irregularidades relacionadas a essas transações.
A primeira nota foi direcionada à empresa Copenhagen, que, assim como a Contábil Correa, teve Rogério Lourenço Novo como administrador em períodos distintos. Em 9 de abril de 2025, foi emitida uma terceira nota no mesmo valor para a Contábil Correa, que não foi cancelada. Rogério Lourenço Novo é um nome recorrente em investigações, tendo sido apontado por supostas atividades fraudulentas no passado.
Artur Figueiredo, que era sócio majoritário da Copenhagen na época das emissões, também desempenhou o papel de diretor financeiro da Trustee DTVM. Figueiredo permaneceu na DTVM, mas deixou a Copenhagen em julho de 2025, quando Rogério Lourenço assumiu a liderança da empresa. Não há confirmação sobre a existência de investigações em andamento relacionadas à Contábil Correa ou à emissão das notas fiscais.
Em um vídeo divulgado nas redes sociais, Flávio Bolsonaro procurou esclarecer sua posição, afirmando que os R$ 500 mil que recebeu foram por serviços advocatícios prestados de forma legal e sem relação com Daniel Vorcaro. Ele enfatizou que não aceitou trabalhar para a Copenhagen, que supostamente está envolvida em pagamentos relacionados a Vorcaro, destacando a legalidade de sua atuação profissional.
O empresário Rogério Lourenço Novo já havia sido alvo de investigações pela Polícia Federal entre 2013 e 2015, sob a suspeita de operar um esquema de notas fiscais falsas para empresas de fachada, com uma fraude estimada em mais de R$ 100 milhões. Contudo, esse caso foi arquivado, e Lourenço permanece ativo no mercado.
O desdobramento dessa situação levanta questões sobre a transparência nas transações realizadas pelo escritório de Flávio Bolsonaro e sobre a relação dele com figuras já envolvidas em investigações fiscais, refletindo uma preocupação contínua com a legalidade de seus negócios.



