O presidente da Argentina, Javier Milei, fez acusações contra o Brasil, afirmando que o governo brasileiro teria financiado uma campanha 'anti-Argentina'. As declarações ocorreram durante uma entrevista à rádio argentina Radio Mitre, no último domingo (26). Milei alegou que 25% dos recursos destinados a essa campanha teriam origem no Brasil, insinuando uma conspiração para prejudicar a imagem do país argentino em um momento delicado, durante a Copa do Mundo.
Além de criticar o Brasil, Milei também apontou o México, sob a liderança de Claudia Sheibaum, e o Partido Democrata dos Estados Unidos como participantes no financiamento da suposta campanha. Essas acusações surgiram após sua participação em uma convenção do PL em São Paulo, onde foi oficialmente anunciada a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à presidência.
O presidente argentino questionou as declarações do governo Lula sobre interferência, lembrando que assessores de Sergio Massa, seu concorrente nas eleições de 2023, eram brasileiros enviados por Lula. Milei ainda fez referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que está sob prisão domiciliar, ressaltando a dificuldade de visitá-lo, em contraste com a visita de Lula à ex-presidente Cristina Kirchner em julho de 2025.
O governo argentino, conforme reportado pelo jornal La Nación, decidiu não pedir desculpas ao Brasil após a reação de Lula às declarações de Milei. Essa decisão já havia sido comunicada e não haverá retratação por parte do presidente ou do embaixador argentino no Brasil. Mesmo após o embaixador da Argentina em Brasília, Daniel Raimondi, ser convocado pelo Ministério das Relações Exteriores brasileiro, não estão previstas manifestações oficiais do governo argentino.
A convocação do embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, para consultas, é uma medida diplomática comum em resposta a ações consideradas hostis. Uma fonte diplomática brasileira afirmou que Milei ofendeu dois Poderes, o povo e a democracia brasileira, com suas declarações.
Milei, uma figura proeminente da direita na América Latina, alertou sobre o chamado 'risco Lula' nas próximas eleições e pediu que o Brasil se desvinculasse da 'subjugação à esquerda'. O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, confirmou que o embaixador seria convocado para discussões sobre as declarações proferidas por Milei durante o evento em São Paulo.



