A ferramenta Gastômetro, desenvolvida para monitorar os gastos do governo federal em ano eleitoral, indica que os desembolsos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva já totalizam R$ 278,3 bilhões. O valor é resultado de uma série de iniciativas destinadas a aumentar os programas de apoio à população, mesmo com as limitações impostas pela legislação eleitoral. Em discurso realizado no Rio Grande do Norte em julho, Lula criticou as restrições da lei, que proíbe a concessão de benesses como doações e emendas parlamentares antes das eleições.
A maior parte dos gastos está relacionada a programas de crédito e subsídios direcionados a setores específicos, como motoristas de aplicativo e caminhoneiros. Isso inclui isenções e financiamentos voltados à aquisição da casa própria, bem como renúncias de receitas, que diminuem a arrecadação da União, como a isenção e desconto do Imposto de Renda para aqueles que recebem até R$ 7 mil mensais. Além disso, há gastos com programas sociais diretos, como o Gás do Povo e o Pé-de-Meia, e despesas com publicidade institucional.
Entre as iniciativas, existem modalidades que não estão diretamente previstas no Orçamento, como o programa Desenrola Brasil, que oferece alívio a endividados, e o Luz do Povo, que garante gratuidade de energia elétrica a famílias de baixa renda. A expectativa é que o valor monitorado pelo Gastômetro aumente ao longo do ano, uma vez que existem despesas programadas que ainda não foram completamente autorizadas, incluindo a ampliação da subvenção da gasolina.
O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, afirmou que as despesas estão alinhadas com o Orçamento e têm autorização do Congresso Nacional. Ele ressaltou que, apesar de os subsídios poderem ser vistos como um custo, é essencial considerar o retorno econômico que essas despesas podem gerar. Segundo ele, essas medidas visam estimular a economia, promovendo consumo e, consequentemente, gerando empregos e renda.
Um estudo realizado pela Secretaria Executiva do ministério estima que os programas em execução podem criar cerca de 1,9 milhão de postos de trabalho. Além disso, o impacto potencial no Produto Interno Bruto (PIB) é estimado em R$ 110,9 bilhões, com uma arrecadação potencial aproximada de R$ 45,4 bilhões. Essas projeções visam justificar as ações do governo, que busca equilibrar as necessidades de intervenção econômica com as exigências fiscais.



