A inteligência artificial, que por anos foi considerada uma aliada na cibersegurança, agora apresenta um lado preocupante. Um novo relatório da Anthropic destaca como criminosos e grupos de espionagem estão adotando essa tecnologia para aprimorar seus ataques, tornando-os mais rápidos e difíceis de detectar.
O relatório aponta que grupos associados à Rússia têm utilizado modelos da família Claude para automatizar diversas fases de operações cibernéticas. Em vez de limitar-se a tarefas como a escrita de códigos ou a resposta a perguntas técnicas, esses atores passaram a usar a IA como uma assistente operacional. Com isso, a IA é capaz de pesquisar alvos, preparar campanhas de phishing, configurar a infraestrutura de ataque e até modificar códigos maliciosos para evitar a detecção.
Essa mudança representa um avanço significativo na evolução do cibercrime, onde a inteligência artificial deixa de ser meramente uma ferramenta auxiliar e se torna parte integrante do ciclo de um ataque digital, conhecido como cyber kill chain. Os criminosos podem agora criar fluxos de trabalho automatizados, nos quais a IA executa tarefas repetitivas e adapta as ferramentas sempre que encontra barreiras de segurança.
Um dos casos relatados envolve uma operação atribuída a um grupo que se alinha ao perfil da organização Midnight Blizzard, relacionada à inteligência russa. Esse grupo teria utilizado a IA para intensificar atividades de espionagem contra organizações militares, ministérios, embaixadas, empresas do setor de defesa e instituições ligadas à política externa dos Estados Unidos e da Ucrânia.
Um aspecto alarmante é a utilização da IA para a evasão de malware. Tradicionalmente, o processo envolve o desenvolvimento de um código malicioso, a criação de mecanismos de defesa para detectá-lo e a necessidade de o atacante produzir uma nova versão do código. Com a ajuda da IA, esse ciclo pode ser acelerado, permitindo que o modelo analise a detecção, altere o código e produza versões mais adaptadas rapidamente.
O relatório da Anthropic ressalta que a corrida pela inteligência artificial não se limita às empresas de tecnologia, mas também envolve defensores e atacantes. Cada avanço na detecção de ameaças pode, ao mesmo tempo, aumentar o potencial ofensivo de criminosos e grupos apoiados por Estados.



