Em uma aula magna realizada na Universidade de Brasília no dia 22 de outubro, a ministra Cármen Lúcia abordou a fragilidade da democracia, descrevendo-a como algo que necessita de vigilância constante. Durante sua fala, ela enfatizou a importância de proteger as liberdades democráticas, alertando para os riscos que podem levar a um 'ponto de não retorno'. A ministra destacou que o STF enfrenta ‘situações sem precedentes’, o que demanda a busca por novas formas de resposta.
As palavras de Cármen Lúcia, embora eloquentes, trazem à tona um histórico de ações que contradizem suas afirmações. Em outubro de 2022, a ministra foi parte da decisão do TSE que censurou um documentário da Brasil Paralelo sobre um incidente envolvendo o ex-presidente Bolsonaro. Na ocasião, ela declarou que a censura não deveria ser permitida sob qualquer pretexto, mesmo assim, sua decisão foi vista como uma contradição às suas próprias palavras.
Esse contexto é refletido na construção do que muitos chamam de 'Estado Excepcionalíssimo de Direito'. Nesse cenário, a Constituição parece ser interpretada de forma flexível, beneficiando apenas aliados políticos enquanto as liberdades fundamentais são restringidas. Desde então, diversas ações foram tomadas, como censura a jornalistas, bloqueio de contas e prisões de influenciadores digitais, sempre com a justificativa de proteger a democracia.
Cármen Lúcia não é uma figura marginal nesse processo; ela está no centro das decisões que moldam esse novo Estado. Sua influência ao longo dos anos se manifestou não apenas em seus votos, mas também em sua retórica, que muitas vezes é criticada por ser vazia e retórica. Essa forma de comunicação, que parece ressoar bem em ambientes acadêmicos, contrasta com a realidade enfrentada por aqueles que se opõem às narrativas oficiais no STF.
A noção de 'duplipensar', conceito introduzido por George Orwell, se aplica a essa situação, onde se aceita simultaneamente crenças contraditórias. No Brasil de 2026, essa ideia não é apenas uma referência literária; ela se tornou uma realidade pragmática dentro do sistema judiciário. A habilidade de Cármen Lúcia de articular essa dualidade levanta uma questão crucial: para quem a democracia realmente serve?



