Na última sexta-feira (24), o Senado promoveu uma sessão especial em comemoração ao aniversário de Brasília, que completou 66 anos na terça-feira (21). O evento não apenas reverenciou a história da capital federal, mas também se tornou um espaço para discutir a crise enfrentada pelo Banco de Brasília (BRB), que busca alternativas para cobrir prejuízos resultantes da compra de créditos problemáticos do Banco Master.
A senadora Leila Barros (PDT-DF) enfatizou que as consequências de uma instituição financeira como o BRB sob suspeita impactam diretamente a população da cidade, especialmente os mais vulneráveis. Ela exigiu que os responsáveis pela situação do BRB em relação ao Banco Master sejam punidos, atribuindo a crise a decisões motivadas por interesses pessoais.
Izalci Lucas (PL-DF), senador que planeja concorrer ao governo do Distrito Federal nas próximas eleições, alertou que o escândalo financeiro atual complicará ainda mais a relação entre o DF e o governo federal, além do Congresso, no que diz respeito à autonomia da unidade federativa. Ele mencionou que a situação tornará difícil evitar críticas de outros estados e municípios, dada a gravidade do escândalo.
O BRB se encontra em uma situação crítica após adquirir R$ 12,2 bilhões em carteiras de créditos do Banco Master, que posteriormente foram apontadas pelo Banco Central como desprovidas de lastro. A revelação trouxe à tona a precariedade das finanças do governo distrital, que iniciou o ano sem recursos para arcar com despesas de exercícios anteriores, enfrentando um aumento constante das obrigações financeiras.
Em março, o ex-governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), solicitou um empréstimo de R$ 4 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para aportar no BRB e mitigar os prejuízos. A proposta incluiu como garantias imóveis do DF e ações de empresas locais.
Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, foi detido pela primeira vez em novembro de 2025, em decorrência de investigações da Polícia Federal sobre fraudes na instituição, que envolviam manipulação de balanços e operações irregulares com outras instituições, incluindo o BRB. O banqueiro foi preso novamente no mês passado.



