Lula se posiciona como o principal líder da esquerda brasileira, um papel que tem mantido ao longo de sua trajetória política. Desde o início de sua carreira, o atual presidente demonstrou habilidade em preservar sua influência, mesmo quando outros, como José Dirceu, tentaram se destacar. Dirceu, que era visto como uma figura forte no PT, teve sua ascensão interrompida após acusações feitas por Roberto Jefferson, resultando em sua saída do cargo de ministro-chefe da Casa Civil, que poderia ter sido um trampolim para suceder Lula.
Após sua saída, Dirceu enfrentou um período de ostracismo, culminando em sua prisão e na cassação de seus direitos políticos, o que o tornou inelegível. Essa situação deixou Lula como o único protagonista no cenário político, sem que ele tenha se preocupado em preparar um sucessor. O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad é considerado o mais próximo, embora suas chances nas eleições para o governo de São Paulo sejam consideradas escassas, com uma derrota iminente no primeiro turno.
Lula não se vê como alguém que segue a cartilha de outros, mas sim como autor de sua própria narrativa. Ele parece, no entanto, ecoar as palavras de Dilma Rousseff, que, em março de 2013, durante uma campanha em João Pessoa (PB), destacou a importância do respeito mútuo entre aqueles eleitos pelo voto direto da população. A frase de Dilma, embora com várias interpretações possíveis, sugere a necessidade de união e respeito no exercício do mandato.
A situação atual revela que, apesar dos benefícios de medidas populistas, Lula pode não contar com o apoio dos eleitores que votaram em outros candidatos no primeiro turno. Mesmo que figuras como Caiado e Renan Santos não manifestem apoio a Flávio Bolsonaro, a tendência é que eleitores com sentimentos antipetistas ainda optem por ele, independentemente da posição desses candidatos.
O governo parece ter subestimado a força de seus adversários, tratando-os como rivais fracos. No entanto, as pesquisas recentes indicaram o contrário, mostrando que, mesmo fora da disputa, o nome de Jair Bolsonaro ainda exerce influência significativa nas urnas. Este cenário reforça a ideia de que o apoio ao adversário deveria ter sido considerado com mais seriedade e antecedência, levando a questionamentos sobre a eficácia das estratégias adotadas para a próxima etapa eleitoral.



