No dia 3 de junho de 1998, a uma semana da estreia do Brasil na Copa do Mundo da França, a comissão técnica anunciou o corte de Romário devido a um estiramento muscular na panturrilha direita. A decisão causou grande polêmica, uma vez que o atacante, aos 32 anos e em excelente forma, acreditava que poderia se recuperar a tempo de participar da segunda partida da fase de grupos ou, pelo menos, do início das oitavas de final. A negativa do técnico Mário Jorge Lobo Zagallo e do coordenador técnico Zico em adiar a decisão gerou um racha na delegação, levando o camisa 11 a sentir uma profunda traição que o acompanhou por muitos anos.
A preparação da Seleção Brasileira para o Mundial de 1998 estava centrada na expectativa de ver a consagração da dupla de ataque formada por Romário e Ronaldo Fenômeno, que havia encantado o mundo no ano anterior com as vitórias na Copa América e na Copa das Confederações. Contudo, o planejamento foi comprometido quando Romário sentiu dores na perna durante os treinos na França, após ter enfrentado uma contratura muscular na coxa direita enquanto jogava pelo Flamengo semanas antes.
O diagnóstico final indicou um estiramento muscular na panturrilha direita, uma lesão de gravidade moderada que exigia repouso e fisioterapia diária. Sob a supervisão do médico Lídio Toledo, a equipe médica realizou exames e consultou especialistas, concluindo que o atacante não estava em condições físicas ideais para estrear na competição. Com o prazo para alterações na lista oficial da FIFA se esgotando, a decisão de cortar Romário foi tomada sob forte pressão.
Por sua vez, Romário discordava da avaliação médica e, com o apoio de seu fisioterapeuta particular, Nilton Petrone, afirmava que seu corpo respondia bem ao tratamento. Ele se sentia capaz de atuar, o que ficou evidente quando, semanas antes, ele já havia demonstrado sua recuperação enquanto jogava pelo Flamengo.
Com o corte de Romário, o volante Emerson foi convocado para preencher a vaga deixada pelo atacante. Assim, Bebeto assumiu a titularidade ao lado de Ronaldo Fenômeno na campanha que culminou com o vice-campeonato do Brasil na França.
Após o Mundial, Romário e a comissão técnica não se entenderam. Na verdade, Foram Zagallo e Zico que processaram Romário devido a caricaturas provocativas que o atacante fez em seu bar, o Café do Gol, após a Copa. O resultado foi desfavorável ao jogador, que foi condenado a pagar indenizações por danos morais.



