O Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) divulgou na última quinta-feira (23) o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que apresenta um panorama detalhado da criminalidade em todo o Brasil. Embora o país tenha registrado o menor número de assassinatos desde 2012, com 40.775 vítimas e uma queda de 8%, o número de feminicídios alcançou um recorde preocupante, sinalizando que a violência de gênero continua a ser um desafio significativo. O Nordeste, mais uma vez, concentra as cidades com as maiores taxas de violência no país.
A taxa média nacional de mortes violentas intencionais, pela primeira vez, caiu para menos de 20 por 100 mil habitantes, fixando-se em 19,1. Dentre os municípios com mais de 100 mil habitantes, as dez cidades mais violentas são todas da Região Nordeste, com destaque para Maranguape (CE), que ocupa a primeira posição pelo segundo ano consecutivo, apresentando uma taxa de 100,3 mortes por 100 mil habitantes. Outras cidades baianas também figuram no ranking, como Eunápolis (85,1), Porto Seguro (71,2) e Simões Filho (68,1).
Entre os estados, o Amapá continua sendo o mais violento, com 42,5 mortes a cada 100 mil habitantes, mesmo após uma redução de 6% neste índice. A Bahia aparece em segundo lugar, com uma taxa de 36,8, seguida pelo Ceará, que registra 34,7. Enquanto isso, Santa Catarina se destaca como o estado mais seguro do Brasil, com uma taxa de 7,6 mortes violentas por 100 mil habitantes, superando São Paulo, que tinha mantido essa posição desde 2014.
O Anuário também revela que 19 estados e o Distrito Federal apresentaram queda nos índices de criminalidade, enquanto sete estados registraram aumento. Apesar da redução geral nos homicídios, a situação dos feminicídios é alarmante: quatro mulheres foram assassinadas por dia em crimes de gênero. Além disso, houve crescimento nos registros de crimes como perseguição/stalking (30%) e descumprimento de medidas protetivas (17%).
Outro ponto crítico é a violência policial, que teve um aumento de 5% nas mortes decorrentes de intervenções, ao passo que o número de policiais mortos em serviço ou durante folgas caiu 3%. O sistema carcerário também apresenta dados preocupantes, com 964 mil pessoas atualmente presas, com a projeção de que esse número ultrapasse 1 milhão até 2027.
Por fim, o Brasil conta com 2,1 milhões de licenças ativas para posse de armas, mas 30% desse total está com o recadastramento vencido, indicando um desafio a mais na gestão da Segurança Pública.



