O Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) tem se tornado um símbolo da ineficiência do Ministério da Educação (MEC) e do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Com um histórico de atrasos, a situação atual se agrava, especialmente em relação ao Enade 2024, que acumula um atraso de 11 meses em relação à expectativa de publicação dos resultados, que era setembro de 2025.
Durante a presidência do Inep, houve um esforço para melhorar a governança, com a publicação do cronograma anual de exames e avaliações em 2022, garantindo previsibilidade para estudantes e instituições. Contudo, esse compromisso foi abandonado, levando a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior a protocolar um pedido formal de esclarecimentos sobre a situação, que permanece sem resposta.
A falta de comunicação e a inação do Inep levantam questões sobre a responsabilidade da grande mídia em abordar essa crise na educação. Existe uma contradição clara quando se observa a cobertura que existia durante o governo anterior, onde havia um intenso escrutínio sobre a eficiência do MEC. Atualmente, a omissão em relação ao colapso operacional do sistema educacional brasileiro é evidente.
A discrepância na cobertura midiática é notável, especialmente quando se considera a gravidade da situação atual. A imprensa, que anteriormente era rápida em criticar e apontar falhas, parece hesitar em confrontar as falhas do MEC neste momento crítico. Essa atitude gera um duplo padrão que descredita a função da mídia como fiscalizadora das ações governamentais.
Diante do descaso institucional, a sociedade civil tem buscado alternativas para lidar com a falta de informações sobre a qualidade do ensino superior. Uma dessas iniciativas é a plataforma amelhorfaculdade.com, que reúne dados oficiais sobre o desempenho de cursos e instituições, possibilitando que estudantes façam comparações informadas antes de escolher uma faculdade.
Neste contexto, é essencial que os estudantes e a sociedade civil permaneçam vigilantes e exijam accountability dos gestores educacionais. O futuro da educação no Brasil depende da capacidade de todos em cobrar ações efetivas e impedir que a ineficiência governamental comprometa a formação dos novos profissionais do país.



