A Polícia Federal (PF) revelou indícios de que o senador Ciro Nogueira recebia transferências mensais de até R$ 500 mil do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Essas informações fazem parte da investigação da quinta fase da Operação Compliance Zero, que foi deflagrada no dia 7 de setembro.
Nogueira, presidente nacional do PP, foi alvo de um mandado de busca e apreensão autorizado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Os investigadores afirmam que a relação entre o senador e o dono do Banco Master ia além de uma simples amizade, envolvendo benefícios financeiros e políticos que seriam incompatíveis com uma relação institucional regular.
Entre os benefícios identificados na investigação, destaca-se a aquisição de uma participação societária avaliada em aproximadamente R$ 13 milhões, que foi adquirida por apenas R$ 1 milhão. Além disso, os pagamentos mensais que inicialmente eram estimados em R$ 300 mil foram posteriormente elevados para R$ 500 mil. Também foram mencionados a cessão gratuita de um imóvel de alto padrão e o custeio de viagens internacionais, que incluíam hospedagens e deslocamentos.
A PF indicou que os repasses eram realizados por meio da parceria conhecida como BRGD/CNLF. Felipe Cançado Vorcaro foi apontado como o operador financeiro do esquema. A sigla BRGD refere-se à BRGD S.A., que está ligada à família Vorcaro, enquanto a CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda. era administrada por Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, ambos alvos das buscas realizadas nesta quinta-feira.
Mensagens interceptadas pela PF revelaram conversas entre Felipe e Daniel Vorcaro a respeito dos pagamentos ao senador. Em uma troca de mensagens datada de 28 de janeiro de 2025, Felipe expressou dificuldades em manter os repasses, mencionando que a maior parte do fluxo financeiro estava sendo direcionada ao BTG e que ele precisava aportar valores altos mensalmente. Daniel respondeu que estava na Venezuela e pediu que a situação fosse resolvida, prometendo repor o dinheiro depois.
Em 30 de junho de 2025, Daniel questionou Felipe sobre atrasos nos pagamentos, perguntando se continuariam os R$ 500 mil ou se poderiam ser reduzidos para R$ 300 mil. As mensagens foram obtidas a partir do celular do banqueiro, conforme a investigação.



