A FIFA, liderada por Gianni Infantino, lançou a proposta de criação da FIFA Forward Enterprise (FFE), uma subsidiária comercial avaliada em aproximadamente US$ 20 bilhões. O objetivo da iniciativa é reunir os direitos de transmissão, patrocínios, ingressos e licenciamento dos principais torneios, incluindo a Copa do Mundo, oferecendo participações minoritárias a investidores de longo prazo. A FIFA pretende arrecadar até US$ 4,2 bilhões com essa estratégia.
Com os recursos obtidos, a FIFA planeja aumentar o financiamento às 211 associações-membro de US$ 8 milhões para até US$ 20 milhões por ciclo, além de opções de capital adicional. A entidade garante que manterá 100% do controle sobre as questões esportivas, regulatórias e de governança, afirmando que não se trata de uma privatização da Copa do Mundo.
A UEFA, por sua vez, reagiu com firmeza à proposta. Em comunicado oficial, a confederação europeia expressou que a ideia “cruza uma linha que as instituições do futebol nunca deveriam cruzar”. Para a UEFA, “a alma e a governança do futebol não são ativos para negociar”, enfatizando que “ninguém é dono do futebol. Não é da FIFA para vender.”
Após uma reunião de emergência, a UEFA decidiu implementar um boicote oficial, afirmando que nenhuma das 55 seleções europeias participará de competições da FIFA enquanto a proposta estiver vigente. A UEFA exige o abandono total do plano e garantias de que a entidade não abrirá suas competições à propriedade privada no futuro. “A Copa do Mundo não está à venda”, declarou a confederação.
Fontes na Europa caracterizaram o plano da FIFA como uma “bomba nuclear”. Embora a oposição esteja centrada na liderança da UEFA, o montante significativo de recursos prometido por Infantino pode influenciar a decisão final, que depende da aprovação da maioria das associações-membro. Politicamente, Infantino ainda mantém um considerável poder de influência neste cenário.



