O Departamento de Estado dos Estados Unidos decidiu pela expulsão imediata do delegado Marcelo Ivo de Carvalho, da Polícia Federal (PF). As autoridades norte-americanas alegam que Ivo manipulou o sistema de imigração para contornar solicitações formais de extradição. O caso ganhou destaque após o delegado estar envolvido na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem, o que gerou preocupações sobre a extensão de perseguições políticas em solo norte-americano.
Desde agosto de 2023, Marcelo Ivo exercia a função de oficial de ligação junto ao Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira (ICE) em Miami. Ele era o único representante da PF naquele órgão, e sua atuação era voltada para a coordenação de investigações sobre crimes transfronteiriços e operações migratórias. A sua missão deveria se estender até agosto de 2026, conforme uma prorrogação assinada em março do mesmo ano.
A expulsão de Ivo ocorreu logo após a prisão e subsequente libertação de Ramagem na Flórida, onde foi constatado que o ex-parlamentar estava em situação regular no país. A decisão do governo dos EUA foi baseada na alegação de que o delegado agiu fora das normas diplomáticas e jurídicas que regem a cooperação internacional.
Com mais de 20 anos de experiência na Polícia Federal, Marcelo Ivo já ocupou postos importantes ao longo de sua carreira. Ele comandou a PF na Paraíba entre 2022 e 2023 e liderou ações contra o crime organizado em São Paulo de 2018 a 2021. Além disso, Ivo foi responsável pela delegacia da PF no Aeroporto Internacional de São Paulo em 2016.
O histórico do delegado inclui um episódio trágico em 2016, quando ele se envolveu em um acidente de trânsito que resultou na morte de um motociclista na rodovia Raposo Tavares, em Sorocaba. Na ocasião, Marcelo Ivo dirigia com a habilitação vencida e o teste do bafômetro indicou um nível de álcool superior ao permitido. O acidente vitimou o vigilante Francisco Lopes da Silva Neto, que retornava do trabalho para casa. Após o incidente, o delegado pagou uma fiança de R$ 2 mil e foi liberado após prestar depoimento. Inicialmente, a Polícia Civil registrou o caso como homicídio culposo, mas posteriormente considerou a possibilidade de dolo eventual devido ao estado de embriaguez do oficial.
Com a expulsão de Marcelo Ivo, o governo dos EUA encerra sua atuação no país, ressaltando a necessidade de respeitar os procedimentos legais e diplomáticos na cooperação entre nações.


