A medicina contemporânea é marcada por avanços notáveis, como inteligência artificial e cirurgias robóticas, que transformaram o atendimento em saúde. No entanto, um problema persistente nos hospitais é a desnutrição intra-hospitalar, que afeta uma parcela significativa dos pacientes. Essa condição pode surgir devido à ingestão inadequada de nutrientes, má absorção por doenças, traumas ou aumento das demandas metabólicas durante a internação.
A desnutrição não é apenas consequência do estado clínico dos pacientes, mas também de falhas no atendimento, pouca valorização da nutrição por profissionais de saúde e falta de protocolos para monitorar a evolução nutricional. Estudos realizados No Brasil indicam que entre 20% e 60% dos pacientes internados desenvolvem algum grau de desnutrição, o que é alarmante considerando que esses indivíduos estão hospitalizados para melhorar sua saúde.
É comum que pacientes que entram em um hospital para tratamento saiam em condições nutricionais piores do que as que apresentavam na admissão. Essa realidade, apesar de parecer contraditória, ocorre frequentemente. A desnutrição associada à internação é uma das complicações mais comuns, mas ainda é uma questão pouco valorizada no contexto hospitalar.
A perda de peso durante a internação implica também a diminuição da massa muscular, da força e da autonomia, além de prejudicar a resposta ao tratamento. A falta de ingestão nutricional adequada compromete a cicatrização, reduz a imunidade, aumenta o risco de infecções e prolonga a internação, elevando ainda mais as chances de complicações e óbitos. A nutrição é, portanto, um componente essencial para o tratamento e recuperação dos pacientes.
A triagem nutricional na admissão, protocolos de acompanhamento durante a internação e indicadores para avaliação de resultados são fundamentais para a qualidade assistencial. A nutrição não deve ser encarada como um detalhe, mas como um aspecto vital para a segurança do paciente e a qualidade do atendimento.
A excelência em hospitais não se mede apenas por equipamentos de última geração ou pela complexidade dos procedimentos, mas pela capacidade de oferecer um cuidado integral que atenda às necessidades dos pacientes. Enquanto a desnutrição continuar sendo uma questão invisível, os investimentos em tecnologia poderão falhar em resolver problemas que muitas vezes poderiam ser evitados com uma atenção adequada à nutrição. O futuro da saúde depende de inovações, mas a verdadeira excelência deve sempre considerar o básico.



