Educadores de São Paulo utilizam quadrinhos para ensinar história afro-brasileira

Iniciativas nas escolas visam promover a cultura afro por meio de obras literárias e rodas de conversa.

Educadores de São Paulo utilizam quadrinhos para ensinar história afro-brasileira
Professora Núbia Esteves em aula sobre cultura afro. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Escolas de SP adotam quadrinhos e rodas de conversa para ensinar a história afro-brasileira, enfrentando desafios culturais.

Estratégias inovadoras nas escolas de São Paulo

O ensino da história afro-brasileira tem ganhado destaque nas escolas de São Paulo, especialmente após a implementação da legislação que tornou obrigatório esse conteúdo desde 2003. Com o objetivo de promover uma educação mais inclusiva, as escolas têm adotado diferentes abordagens pedagógicas, como o uso de quadrinhos e rodas de conversa. Essas iniciativas visam não apenas cumprir a legislação, mas também enriquecer o aprendizado dos alunos, permitindo um entendimento mais profundo da cultura e história afro-brasileira.

Quadrinhos como ferramenta pedagógica

Uma das estratégias mais criativas utilizadas por educadores, como a professora Núbia Esteves, é a inserção de quadrinhos nas aulas. Esses materiais ajudam a desmistificar a cultura afro, tornando-a acessível e interessante para os alunos. “Uma vez, um aluno criou um quadrinho que mostrava um orixá conversando com um deus grego”, relata a professora. Essa abordagem não apenas estimula a criatividade, mas também promove um debate sobre as similaridades entre diferentes mitologias e a importância da diversidade cultural.

O papel das rodas de conversa

As rodas de conversa são outro elemento essencial no ensino da história afro-brasileira. Elas oferecem um espaço seguro para que os alunos possam refletir sobre questões éticas, convivência e valores individuais. Durante esses momentos, os estudantes têm a oportunidade de expressar suas opiniões e discutir temas relevantes, contribuindo para uma formação mais crítica e consciente.

Desafios enfrentados nas escolas

Apesar dos esforços para implementar essas práticas, ainda existem desafios significativos. Casos de intolerância religiosa, como o incidente em que policiais foram chamados a uma escola devido a um desenho de orixá feito por uma aluna, evidenciam a resistência que ainda persiste em algumas comunidades. Esses episódios ressaltam a necessidade de um diálogo mais amplo e inclusivo dentro das escolas, de modo a sensibilizar tanto os alunos quanto os pais sobre a importância da diversidade cultural.

Formação de professores e apoio institucional

A formação contínua dos educadores é fundamental para que essas iniciativas tenham sucesso. Programas como o Multiplica Educação Antirracista buscam capacitar professores sobre cultura e religiosidade africanas, garantindo que esses conteúdos sejam integrados ao currículo escolar. A Secretaria Municipal de Educação de São Paulo destaca que, em 2022, foram adquiridos 700 mil exemplares de obras com temática étnico-racial, que servem como apoio ao trabalho dos educadores.

A importância da cultura afro na educação

A professora Núbia Esteves enfatiza que o estudo da cultura afro-brasileira não deve ser visto como uma discussão religiosa, mas sim como uma parte essencial da formação cultural e histórica do Brasil. Ao abordar os orixás e outras manifestações culturais, ela busca mostrar aos alunos a relevância desses elementos na construção da identidade nacional. “Essa resistência cultural é uma herança que devemos valorizar e respeitar”, conclui Núbia, reforçando a importância de descolonizar o currículo escolar.

Conclusão

As iniciativas nas escolas de São Paulo ilustram um esforço contínuo para integrar a história e cultura afro-brasileira na educação. Com o uso de quadrinhos, rodas de conversa e um foco na formação docente, as escolas buscam criar um ambiente mais inclusivo e respeitoso, enfrentando os desafios ainda presentes com criatividade e diálogo.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

Fonte: Fernando Frazão/Agência Brasil

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