O governo brasileiro desmentiu a informação sobre uma conversa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Paraguai, Santiago Peña. A negação ocorreu após declarações de Lula, que causaram revolta no Paraguai, relacionadas à Guerra do Paraguai. Essas informações foram divulgadas durante uma coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira, 30 de julho de 2026, pelo chanceler paraguaio, Rubén Ramírez Lezcano.
O chanceler paraguaio também informou que o embaixador brasileiro no Paraguai, José Antônio Marcondes de Carvalho, foi convocado para uma reunião com o vice-presidente do Paraguai, Pedro Alliana, agendada para a próxima sexta-feira, 31 de julho. Durante esse encontro, o embaixador deverá receber uma nota oficial do governo paraguaio em resposta às declarações de Lula sobre o conflito histórico.
Na última sexta-feira, 24 de julho, Lula mencionou que o Paraguai invadiu o Brasil, a Argentina e o Uruguai no século XIX, dando origem à Guerra da Tríplice Aliança. Em suas palavras, Lula afirmou: "A gente não pode se esquecer que um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil, invadiu Corumbá, ao mesmo tempo invadiu o Uruguai, invadiu a Argentina e aquela guerra, que parecia que era nada, durou cinco anos".
As declarações de Lula provocaram reações negativas entre a população e a classe política paraguaia. Estimativas indicam que cerca de 70% da população paraguaia foi morta durante o conflito do século XIX, o que acirrou ainda mais os ânimos. Em resposta, na quarta-feira, 29 de julho, o Congresso do Paraguai aprovou uma declaração de repúdio às falas do presidente brasileiro, destacando que suas palavras "distorcem e minimizam a dimensão histórica" da guerra.
Raúl Latorre, presidente da Câmara dos Deputados do Paraguai, se manifestou nas redes sociais, afirmando que Lula estava tratando com leviandade "a maior tragédia da nossa história e do maior genocídio do nosso continente". Latorre ressaltou que a guerra foi iniciada pela intervenção militar do Brasil no Uruguai e que o conflito resultou em uma devastação significativa para o Paraguai, impactando profundamente a história do povo paraguaio.
Diante da situação, fontes da diplomacia brasileira ressaltam que o governo não tem interesse em aumentar a crise com o Paraguai e confia na capacidade do embaixador José Antônio Marcondes de Carvalho para gerir o diálogo e amenizar a tensão entre os países.



