O Governo Federal, sob a administração de Lula, recorreu a uma operadora de turismo para a hospedagem das delegações que participarão da COP30, evento agendado para novembro de 2025 em Belém, no estado do Pará. Para tal, foram contratados navios de cruzeiro, com a intermediação de uma empresa associada a Marcelo Cohen, que possui vínculos com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. As informações foram divulgadas em uma matéria publicada nesta quarta-feira, 22.
Documentos provenientes da Casa Civil indicam que a Embratur foi a responsável pela contratação da Qualitours Agência de Viagens e Turismo Ltda., encarregada de facilitar os acordos com as companhias marítimas que fornecerão as embarcações para o evento. A operação foi conduzida pela Secretaria Extraordinária para a COP30, que está vinculada à Casa Civil, e a Qualitours firmou contratos com empresas do setor de cruzeiros para assegurar a estrutura necessária.
A relação entre Marcelo Cohen e Daniel Vorcaro se estende além da conexão com o hotel de luxo Botanique, situado em Campos do Jordão, São Paulo, que Cohen já confirmou ser de sua propriedade. Vorcaro, por sua vez, frequentemente menciona que o hotel faz parte do portfólio da Prime You. Contudo, a relação entre os dois é mais complexa, uma vez que a Qualitours integra a holding BeFly, a qual foi criada em 2021 com o suporte financeiro de fundos que estão associados ao Banco Master.
Além disso, uma reportagem revelou que Cohen utilizou recursos de fundos vinculados ao Banco Master, como B10 e TT, para expandir a holding BeFly. Entre as aquisições realizadas por Cohen estão empresas renomadas no setor de turismo, como a Flytour e a Queensberry. Um levantamento também trouxe à tona uma transação de R$ 6 milhões que ocorreu em novembro de 2024 entre o Banco Master e uma empresa de Cohen, conforme um relatório de inteligência financeira.
A Embratur, em resposta às informações divulgadas, declarou que a escolha da Qualitours se deu por meio de um chamamento público. A autarquia garantiu que a empresa apresentou toda a documentação necessária para comprovar sua idoneidade e capacidade de execução do contrato. A estrutura financeira da operação foi assegurada pelo banco BTG Pactual, que emitiu uma carta fiança, afirmando que não houve participação do Banco Master no processo de contratação dos navios.
O contrato firmado entre a Embratur e a Qualitours já passou por auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU). Em uma decisão unânime, o plenário do TCU considerou a contratação regular, conforme descrito no acórdão 756/2026. O tribunal avaliou a plausibilidade da fundamentação técnica, jurídica e estratégica que sustentou a decisão, além de confirmar que o modelo adotado pela Embratur se mostrou economicamente mais vantajoso em comparação a uma alternativa de afretamento direto.



