O guarda municipal investigado por importunação sexual contra adolescentes no bairro Alto da Glória, em Curitiba, foi liberado após prestar depoimento à Polícia Civil do Paraná (PCPR). O caso ocorreu na noite de quarta-feira (26), quando o agente, que estava de folga e circulava de patinete pela região, teria abordado jovens.
Durante a ocorrência, o padrasto de um dos adolescentes foi baleado e precisou passar por cirurgia. Ele permanece internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
A investigação está sob responsabilidade do Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (Nucria), da PCPR. Na tarde de quinta-feira (27), agentes da Corregedoria da Guarda Municipal estiveram na região em busca de imagens de câmeras de segurança que possam ajudar a esclarecer a sequência dos acontecimentos.
Um vídeo registrado por moradores também mostra parte da confusão entre o servidor, os adolescentes e o padrasto de uma das vítimas.
Segundo o delegado Rodrigo Rederde, responsável pela investigação, os depoimentos indicam que o guarda já teria abordado outros adolescentes na região, nas proximidades de uma escola estadual.
“Pelos relatos dos adolescentes, ele fazia abordagem de alunos meninos na região do Alto da Glória, próximo a uma escola estadual, e oferecia dinheiro ou tentava alguma vantagem sexual. Ele vinha de patinete e já abordava os adolescentes”, afirmou.
Um terceiro adolescente também procurou a polícia e relatou ter sido abordado pelo mesmo homem. Para o delegado, os elementos reunidos até o momento são compatíveis com uma investigação por importunação sexual.
“Nitidamente houve importunação sexual, o próprio boletim aponta isso e as vítimas corroboram com essa informação”, explicou Rederde.
Adolescentes relatam abordagens e ameaças
Um dos jovens afirmou que o homem passou pelo grupo, continuou observando os adolescentes e, diante da situação, eles decidiram telefonar para o padrasto para contar o que estava acontecendo.
Outro adolescente relatou que as abordagens ocorreriam havia algum tempo e que, posteriormente, teriam evoluído para ameaças. Segundo ele, o homem ofereceria dinheiro em troca de atos de natureza sexual e teria passado a utilizar armas para intimidar os jovens.
Durante a discussão ocorrida na noite de quarta-feira, o guarda sacou uma arma e efetuou um disparo que atingiu o padrasto de um dos adolescentes. A vítima passou por cirurgia e segue internada na UTI.
O adolescente afirmou que o projétil atravessou a região atingida e alcançou uma área próxima ao glúteo, com possibilidade de comprometimento dos movimentos. Ele também relatou medo de voltar a circular sozinho pelas ruas após os episódios.
Guarda nega abordagem com proposta sexual
Em depoimento à PCPR, o guarda municipal negou ter abordado adolescentes para oferecer dinheiro ou fazer propostas de natureza sexual. Ele apresentou outra explicação para sua presença na região.
Segundo o agente, ele costumava andar de patinete nas proximidades de casa para descarregar a bateria antes de colocá-la para carregar novamente e utilizá-la no trabalho.
O servidor afirmou que observou os adolescentes caminhando juntos e considerou o horário incomum. De acordo com o depoimento, ele parou o patinete e mexia no celular quando o padrasto dos jovens se aproximou, o empurrou e afirmou que os adolescentes eram seus filhos.
Na sequência, conforme a versão apresentada pelo guarda, ocorreu a discussão que terminou com o disparo de arma de fogo.
O agente prestou depoimento e foi liberado. Uma das vítimas criticou a decisão e afirmou estar revoltada com a liberação.
Nova denúncia é apresentada à polícia
Além dos adolescentes envolvidos na ocorrência, outro jovem, de 15 anos, relatou ter sido abordado pelo mesmo homem. Segundo o adolescente, o episódio ocorreu na segunda-feira (24), também no Alto da Glória, enquanto ele seguia para a escola.
O jovem afirmou que o homem passou de patinete, perguntou se ele estudava naquela região e quis saber sua idade. Em seguida, segundo o relato, teria feito uma proposta de natureza sexual em troca de R$ 200.
Ainda conforme o adolescente, o homem teria utilizado uma faca para ameaçá-lo. O jovem disse que fugiu do local e posteriormente contou o episódio a colegas. Segundo ele, outros estudantes afirmaram ter passado por situações semelhantes.
Investigação continua
A Prefeitura de Curitiba informou que o guarda municipal foi suspenso preventivamente. A arma da corporação que estava sob responsabilidade do servidor foi apreendida.
A administração municipal afirmou ainda que a Corregedoria acompanha o caso e que serão adotadas as medidas cabíveis após a apuração dos fatos.
A PCPR informou que continua investigando o episódio. O guarda é investigado, até o momento, por disparo de arma de fogo e importunação sexual.
Conforme o delegado Rodrigo Rederde, as diligências continuam para reunir elementos que permitam esclarecer os fatos e verificar a eventual responsabilidade criminal do servidor.
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