Na noite da última quinta-feira (28), o Tribunal do Júri de Rolândia proferiu a sentença contra Davisson de Almeida, de 51 anos, que foi condenado a uma pena de 27 anos e 9 meses de reclusão em regime fechado. O réu foi julgado pelo homicídio de sua prima, Franciele Gonçales Bigarelli, um crime brutal que ocorreu em fevereiro de 2023 e que gerou grande repercussão na comunidade.
O assassinato envolveu uma emboscada em que Franciele foi imobilizada, amarrada e teve seu corpo e veículo incendiados por Davisson após oferecer uma carona ao primo, que se dirigia a uma clínica de reabilitação. Durante o julgamento, o Conselho de Sentença ouviu depoimentos que revelaram a complexidade da relação familiar e os detalhes sombrios do crime.
A defesa, representada pelo advogado Peter Kelter, tentou argumentar que o réu deveria ser considerado semi-imputável devido a um vício de 30 anos em drogas, alegando que isso afetou sua capacidade de discernimento. No entanto, os jurados não aceitaram essa tese, e as qualificadoras de feminicídio, meio cruel e motivo torpe foram fundamentais para a condenação, especialmente considerando que Franciele sofreu 90% de queimaduras em seu corpo.
Apesar da condenação, os advogados de Davisson já anunciaram a intenção de recorrer da decisão ao Tribunal de Justiça. Eles argumentam que o juiz errou na dosimetria da pena e não levou em conta a atenuante da confissão, uma vez que o réu admitiu sua responsabilidade pelo crime. A defesa acredita que a sentença foi desproporcional e não considerou a colaboração do acusado.
Por outro lado, a acusação defende que a extrema crueldade do ato justifica a severidade da pena imposta, com a expectativa de que Davisson permaneça preso por um longo período. O réu, que já se encontrava sob custódia, foi levado de volta ao presídio sob forte escolta da Polícia Penal logo após a leitura da sentença.
Este caso encerra um capítulo doloroso para a família de Franciele, que enfrenta a dor pela perda da jovem e o histórico de dependência química do agressor. Agora, a situação aguarda o desdobramento nas instâncias superiores, onde a defesa tentará a revisão da pena estipulada pela Justiça de Rolândia.



