A servidora Mariângela Fialek, popularmente chamada de Tuca, é a figura central em uma investigação que culminou, nesta sexta-feira, no bloqueio de R$ 119,2 milhões em bens do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. O nome de Mariângela já estava em investigação desde a fase inicial da Operação Transparência, que foi deflagrada em dezembro de 2025, e ela também está mencionada em um inquérito de 2024 que analisa o controle das cotas de emendas de cada parlamentar.
Desde março de 2021, Mariângela ocupa o cargo de chefe da Assessoria Especial do gabinete da presidência da Câmara dos Deputados, recebendo um salário de aproximadamente R$ 25,9 mil. Ela está lotada na Diretoria Administrativa (Dirad) da Casa e seu escritório está localizado no Anexo IV, no subsolo do Congresso, uma área com baixa circulação e pouca visibilidade. Sua nomeação ocorreu sob a presidência de Arthur Lira (PP-AL), de quem foi assessora, e ela manteve a função mesmo após a mudança de liderança, permanecendo sob a presidência de Hugo Motta (Republicanos-PB), afilhado político de Lira.
Um relatório da Polícia Federal, enviado ao STF, descreve Mariângela como a “personagem principal” de um “arranjo funcional informal” que permitiu a operacionalização de indicações de emendas em nome de Valdemar Costa Neto, que não poderia indicar recursos do Orçamento por não estar em exercício de mandato. O documento indica que o encaminhamento das emendas foi “capitaneado” por Tuca, com o suporte de interlocutores diretos do ex-deputado. A extração de dados do celular dela, apreendido em seu local de trabalho, foi crucial para a investigação, revelando um “arranjo decisório paralelo” na alocação de verbas públicas.
Mariângela é investigada por dois crimes conforme a representação policial: peculato-desvio e associação criminosa, junto a outros dois servidores da Câmara e o próprio Valdemar Costa Neto. Em uma decisão prévia que autorizou a operação da PF na Câmara, o ministro Flávio Dino impôs a proibição a Mariângela de realizar “atividades relacionadas à proposição, tramitação ou destinação de emendas parlamentares”, ao mesmo tempo que autorizou apreensões de documentos e a quebra de sigilo telefônico e telemático dela.
Em dezembro, a Mesa Diretora da Câmara solicitou ao STF a anulação das provas obtidas pela PF na operação contra Mariângela, além do retorno dela ao cargo. Apesar da restrição imposta por Dino, informações apuradas indicam que Mariângela permanece formalmente nomeada na Câmara, continuando a receber seu salário como assessora técnica.



