O governo israelense, liderado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, está promovendo uma campanha contra as críticas recebidas durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, acusando órgãos da ONU de manter um "viés sistemático" contra Israel. Essa ofensiva acontece antes do discurso de Netanyahu, agendado para quinta-feira, dia 24.
Como parte dessa estratégia, o governo lançou um vídeo que, aparentemente, foi produzido com o uso de inteligência artificial. Nele, papagaios ocupam o púlpito da Assembleia Geral e repetem a frase "Blame Israel" ("Culpe Israel"). À medida que o vídeo avança, outros pássaros se juntam ao coro, culminando na mensagem de que repetir uma mentira não a torna verdadeira.
A divulgação do vídeo se deu após líderes que estavam presentes em Nova York reiterarem suas críticas à atuação de Israel nos territórios palestinos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente francês Emmanuel Macron foram alguns dos chefes de Estado que se manifestaram contra as ações israelenses em seus discursos na terça-feira, dia 22. Lula acusou o governo de Netanyahu de cometer "genocídio" contra os palestinos em Gaza e fez críticas aos assentamentos israelenses na Cisjordânia. Macron, por sua vez, fez um apelo por acesso humanitário à Gaza.
A campanha, intitulada "The UN’s Lie Industry", é uma iniciativa do Ministério de Assuntos da Diáspora e Combate ao Antissemitismo, em colaboração com a estrutura de diplomacia pública do gabinete do primeiro-ministro. O ministro Amichai Chikli afirmou que o plenário da ONU se tornou uma "câmara de eco" para acusações contra Israel.
Além do vídeo, o governo israelense estabeleceu uma plataforma para compilar o que considera manipulações, informações falsas e a parcialidade de agências da ONU durante a guerra em Gaza. Os temas abordados incluem avaliações sobre a fome nos territórios palestinos, alegações de genocídio e a relação de membros da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) com o Hamas.
As alegações veiculadas na nova plataforma refletem a posição oficial do governo israelense e são contestadas por diversas organizações internacionais.



