A sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federal (STF) realizada nesta terça-feira (15) foi marcada por tensões e abstenções. Os ministros Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques optaram por não participar da votação relacionada ao ministro Alexandre de Moraes e à análise de elementos que podem justificar uma investigação sobre o caso Banco Master.
Toffoli declarou-se suspeito e decidiu se abster do julgamento, argumentando que sua decisão foi motivada por questões de foro íntimo e pela necessidade de preservar o funcionamento da Corte. O ministro afirmou que, embora não estivesse participando da análise, continuaria presente na sessão e poderia pedir a palavra se necessário. Essa não é a primeira vez que Toffoli adota essa postura em relação ao caso Banco Master, tendo já feito o mesmo durante discussões na Segunda Turma do Supremo.
Por sua vez, Kassio Nunes Marques também se declarou impedido de participar da sessão, uma decisão que já havia sido antecipada pela Jovem Pan. A abstenção de Nunes Marques ocorreu após a divulgação de diálogos que mencionavam pagamentos de R$ 500 mil mensais ao advogado Kevin Marques, filho do ministro, por Luiz Rennó, ex-diretor jurídico do Banco Master.
A sessão foi agitada desde o início, com um embate entre o presidente do STF, Edson Fachin, e o Ministro Flávio Dino. A discussão começou quando Toffoli relatou sobre sua decisão de afastar-se da relatoria do caso. Durante a fala de Toffoli, Dino interrompeu, mencionando que havia sido citado, o que levou Fachin a intervir e lembrar a todos sobre a necessidade de respeitar o Regimento Interno da Corte.
Dino defendeu que seguiria as normas estabelecidas, ressaltando que o procedimento para solicitar a palavra deveria ser respeitado durante a sessão. Gilmar Mendes também se envolveu nas discussões, acusando o colega André Mendonça de ter um viés político-eleitoral na condução das petições relacionadas a Moraes. Mendes afirmou que "até as pedras sabem" do caráter eleitoral da forma como o tema foi tratado.
Mendonça, por sua vez, pediu respeito e foi classificado como "pixuleco eleitoral" por Mendes, em um clima de tensão crescente entre os ministros. A sessão continua a repercutir por conta das questões levantadas e das posturas adotadas pelos magistrados, refletindo a complexidade e a carga política envolvida nas discussões em torno do STF e do caso Banco Master.



