Lula classificou a regulação das big techs como uma necessidade imediata em evento internacional sobre IA. Durante a Cúpula realizada em Nova Délhi nesta quinta-feira, ele alertou que a governança desses sistemas deve ser multilateral, com prioridade para direitos humanos e mitigação de desigualdades. Críticas foram dirigidas ao modelo de negócios baseado na monetização de dados pessoais e conteúdos que amplificam radicalização política, destacando que a governança define quem se beneficia e quem fica à margem do desenvolvimento tecnológico.
O presidente ressaltou o contexto atual, onde a chamada Quarta Revolução Industrial avança enquanto o multilateralismo enfrenta desafios. Lula afirmou que uma governança global da IA é estratégica para estabelecer padrões e direcionamentos no uso das tecnologias digitais. No Brasil, o Congresso discute um marco regulatório para IA e uma política de atração de investimentos em centros de dados, além de programas que visam aprimorar serviços públicos e criar oportunidades de emprego e renda.
Em relação ao papel da IA, Lula reconheceu potenciais benefícios para áreas como medicina, segurança alimentar e energética. No entanto, alertou para perigos associados ao uso da ferramenta, como armas autônomas e disseminação de desinformação, ódio e violência. Ele afirmou que conteúdos falsos manipulados pela IA podem comprometer eleições e ameaçar a democracia, classificando algoritmos como parte de uma estrutura complexa de poder no ambiente digital.
Dados da União Internacional de Telecomunicações foram mencionados para reforçar desigualdades globais, como 2,6 bilhões de pessoas desconectadas digitalmente e projeção de 660 milhões ainda sem acesso à eletricidade em 2030. Lula também citou a atuação do Brasil em fóruns como a Cúpula do Brics e diálogos com a China e o G7 sobre o tema da inteligência artificial e suas implicações.

