O MDB anunciou que não fará uma candidatura própria à Presidência da República, nem apoiará outro candidato nas eleições vindouras, uma decisão sem precedentes desde a redemocratização do Brasil. Durante uma convenção nacional virtual realizada na segunda-feira (27), o partido decidiu liberar os diretórios estaduais para que possam negociar alianças locais, visando as eleições de 2026.
Com essa nova abordagem, cada unidade da federação poderá realizar suas próprias articulações para as disputas ao governo estadual e ao Senado, sem a necessidade de seguir uma coligação nacional. O principal objetivo dessa estratégia é aumentar a presença do MDB na Câmara Federal, ampliando o número de deputados federais e, consequentemente, sua participação nos fundos partidário e eleitoral.
A decisão de não disputar a Presidência é significativa, considerando a história política do MDB e sua ampla capilaridade no país. Nas eleições de 2024, o partido elegeu 853 prefeitos, ficando atrás apenas do PSD. Entretanto, o MDB viu sua força diminuir no Congresso Nacional, onde atualmente possui 38 deputados, ocupando a 7ª posição na Câmara Federal, após perder parlamentares na janela partidária de abril deste ano.
Internamente, há um consenso de que as tentativas anteriores do MDB de conquistar o Palácio do Planalto não foram bem-sucedidas e desviaram a atenção do partido de suas atividades legislativas. Em 2022, o MDB lançou a candidatura de Simone Tebet em parceria com a Federação PSDB-Cidadania, mas a ex-senadora terminou a eleição em terceiro lugar, com apenas 4% dos votos válidos. Em 2018, Henrique Meirelles, TAMBÉM do MDB, ficou em 7º lugar, obtendo menos de 2% dos votos.
Apesar da renúncia à corrida presidencial, o MDB tem como objetivo fortalecer sua base no Legislativo para as eleições de 2026. Com essa decisão, o partido espera que cada diretório estadual possa adaptar suas estratégias à realidade política local, levando em conta o histórico eleitoral de cada estado. O estatuto do MDB já prevê essa autonomia, permitindo que lideranças que se destacaram nas eleições majoritárias anteriores tenham maior influência.
Atualmente, o MDB conta com 10 pré-candidatos a governadores em diversas partes do Brasil, embora algumas dessas candidaturas ainda dependam de homologação nas convenções estaduais. Um exemplo é o Paraná, onde o ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca, é um dos pré-candidatos a governador.



