Na gravação, Ciro Gomes diz: "Para a gente entender o Bolsonaro, temos que entender a psicologia de um homem quase doente". Ele acrescenta que o presidente manifesta um "ódio anti-intelectual" por ser "curto", considerando-o "quase um burro, quase um jumento". Essas declarações foram feitas durante uma entrevista ao canal do YouTube MyNews, em 2019.
Atualmente, Ciro Gomes tem buscado uma aproximação com o Partido Liberal (PL), a sigla de Jair Bolsonaro. Esse movimento tem sido alvo de críticas por parte de Michelle desde dezembro do ano passado, quando a ex-primeira-dama se opôs publicamente ao acordo entre a direita e o cearense, que é pré-candidato ao governo do estado e aparece como líder nas pesquisas eleitorais.
As declarações de Michelle provocaram descontentamento entre os filhos de Jair Bolsonaro, Carlos, Flávio e Eduardo, que saíram em defesa de Ciro, afirmando que o acordo foi realizado com o conhecimento do pai. Em resposta, a ex-primeira-dama publicou uma nota expressando respeito pela opinião dos enteados, mas reiterando seu direito de manifestar suas convicções "com liberdade e sinceridade". Ela pediu compreensão e perdão aos filhos, ressaltando que não tinha a intenção de contrariá-los.
Ao relembrar o vídeo da entrevista de Ciro, Michelle comentou na legenda: "E ainda há pessoas da ‘direita’ apoiando esse indivíduo". Essa crítica se insere em um contexto mais amplo, onde Ciro Gomes, ex-ministro da Integração Nacional durante o primeiro mandato de Lula, se tornou um crítico do presidente e do Partido dos Trabalhadores (PT), enfrentando o atual governador do Ceará, Elmano de Freitas, seu principal adversário nas eleições deste ano.
Em abril, Valdemar Costa Neto, presidente do PL, declarou que a região Nordeste representaria um "desastre" para o partido, sugerindo que a sigla deve buscar alianças para melhorar suas chances de conquistar votos em estados nordestinos, incluindo uma possível aliança com Ciro para as eleições no Ceará.



