A Ucrânia atravessa uma das suas mais intensas crises políticas e militares desde o início da invasão russa em fevereiro de 2022. A recente decisão do presidente Volodymyr Zelensky de reestruturar a liderança do setor de Defesa resultou em protestos em várias cidades e revelou disputas internas entre os principais responsáveis pela estratégia de guerra. A situação culminou na troca do ministro da Defesa e do comandante das Forças Armadas.
A crise teve início no último fim de semana, quando Zelensky anunciou uma reforma ministerial abrangente, demitindo Mykhailo Fedorov do cargo de ministro da Defesa em 13 de julho, com a decisão sendo ratificada pelo parlamento ucraniano dois dias depois. Na sequência, em 21 de julho, o presidente também dispensou Oleksandr Syrskyi, comandante das Forças Armadas, nomeando o general Mykhailo Drapatyi, de 43 anos, para o posto.
De acordo com Zelensky, as mudanças visam “reiniciar” a condução da guerra, fortalecendo a capacidade de resposta da Ucrânia diante da persistente ofensiva russa. Fedorov, que assumiu a pasta em janeiro de 2026, aos 35 anos, se destacou como o ministro mais jovem da história do país, encarregado de modernizar um Exército desgastado após anos de conflito. Durante seu tempo no cargo, ele implementou iniciativas para acelerar a adoção de novas tecnologias e reformar estruturas consideradas ineficazes.
Entre as ações promovidas por Fedorov, estão o aumento do uso de drones, investimentos em sistemas não tripulados e mudanças nos contratos de aquisição de equipamentos militares, visando reduzir fraudes. Ele também destacou a limitação do uso dos terminais Starlink por tropas russas e a expansão na compra de drones. Em apenas quatro meses, a Ucrânia adquiriu mais equipamentos dessa natureza do que no ano anterior.
A escolha de Zelensky em substituir Fedorov e Syrskyi também reflete um desejo de renovação na liderança militar, considerando o desencontro tático entre eles. Enquanto Syrskyi possui 60 anos, Drapatyi representa uma nova geração de oficiais que se destacaram durante o conflito. O presidente ucraniano afirmou que “as operações das Forças de Defesa da Ucrânia estão em andamento e precisam continuar de forma constante”, além de garantir que os planos de sanções e ataques de médio alcance serão executados com precisão.
Zelensky também ofereceu a Fedorov um novo cargo relacionado ao setor de tecnologia, embora não tenha confirmado se ele aceitou a proposta. Em resposta, o Kremlin declarou que a troca de comando não deverá impactar a situação no campo de batalha, reafirmando a continuidade da ofensiva russa.



