Paolo Maldini, ex-zagueiro e diretor da Federação Italiana de Futebol (FIGC), se manifestou a respeito de sua recente demissão do cargo. Em entrevista ao Corriere della Sera, o ex-atleta expressou descontentamento com as decisões do presidente Giovanni Malagò, que, segundo ele, teria restringido sua autonomia na escolha de um novo treinador. "Apresentamos nossas demissões porque as condições necessárias para a confiança deixaram de existir. Se eu tenho um emprego, se tenho uma responsabilidade e pretendo cumpri-la, isso é inaceitável. Levamos 24 horas e entregamos nossas cartas de demissão, com um contrato que nem tinha começado", afirmou Maldini.
O ex-dirigente ficou apenas 16 dias à frente da FIGC, ao lado do consultor brasileiro Leonardo. Maldini lamentou a situação atual da entidade, descrevendo-a como uma "máquina parada". Ele destacou que existem muitas pessoas dispostas a contribuir, mas sem clareza sobre os objetivos a serem alcançados. "Estão à espera de um objetivo, de orientações. Conhecê-las nos deu muita energia, em um papel que é bastante desafiador", completou.
Entre as críticas, o ex-zagueiro também se manifestou sobre a recusa do presidente em permitir a contratação de Andrea Pirlo como novo treinador. Maldini considera que a justificativa utilizada, envolvendo a relação de Pirlo com uma casa de apostas, foi um pretexto exagerado. "Eu diria que sim (foi usado como pretexto). Certamente foi explorado de uma forma absolutamente exagerada. Pirlo estava disposto a encerrar seu relacionamento com a empresa de apostas russa. Ele é uma pessoa muito honesta, não merecia toda essa comoção", disse.
Maldini revelou que buscou o italiano Carlo Ancelotti para assumir o comando da seleção brasileira. Contudo, o técnico reafirmou seu compromisso com a CBF, desejando boa sorte ao ex-dirigente. "Ligamos para o melhor técnico italiano de todos os tempos, meu grande amigo Carlo Ancelotti. Ele respondeu que o Brasil havia reafirmado sua total confiança nele e se despediu, desejando-nos boa sorte", explicou.
Outro nome que esteve em pauta foi o de Pep Guardiola, que deixou o Manchester City após uma década na Premier League. "Fomos visitá-lo em Barcelona, almoçamos juntos e conversamos o dia todo. Ele ficou muito tentado. Chegou muito perto de aceitar. Ele até começou a anotar possíveis escalações", revelou Maldini. No entanto, Guardiola alegou precisar de um tempo para descansar após anos de trabalho intenso e uma recente cirurgia nas costas.
Após as tentativas frustradas de contratação, a FIGC anunciou Roberto Mancini como novo treinador no final de julho. O técnico, que já comandou a seleção italiana entre 2018 e 2023, chega à sua segunda passagem no cargo. Mancini, que conquistou a Eurocopa, enfrentou dificuldades ao não conseguir a classificação para a Copa do Mundo de 2022.



