A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) elaborou um relatório que sinaliza riscos de influência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras deste ano. O documento, classificado como reservado, alerta para uma escalada da pressão estadunidense sobre o Brasil e foi encaminhado à Presidência da República, ao Tribunal Superior Eleitoral e ao Ministério da Justiça no final de agosto.
O relatório classifica a possibilidade de interferência externa com um “nível de criticidade”, destacando que a reafirmação da hegemonia dos Estados Unidos na América Latina é uma prioridade do governo do presidente Donald Trump. O objetivo seria afastar rivais, como a China, de ativos estratégicos e riquezas naturais na região.
A avaliação da Abin revela uma intensificação das ações norte-americanas em relação ao Brasil nos últimos meses. Além da ingerência nas eleições, o país tem sido alvo de medidas econômicas e políticas que podem ser prejudiciais aos interesses brasileiros. Em contrapartida, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva busca manter Relações Diplomáticas e comerciais positivas, afirmando em diversas ocasiões que mantém uma boa relação com Trump.
A relação entre os dois líderes ganhou destaque em setembro de 2025, durante a Assembleia Geral da ONU, quando Trump mencionou ter sentido uma “química” entre eles após um breve encontro. Contudo, essa sintonia não tem facilitado a diplomacia ou os aspectos econômicos do Brasil.
Desde abril de 2025, o Brasil enfrenta tarifas de exportação para produtos enviados aos Estados Unidos, iniciando com uma taxa de 10% aplicada a diversos itens. Essas tarifas aumentaram progressivamente, atingindo até 50% em determinados produtos. O governo brasileiro, por sua vez, tem se empenhado em evitar a designação de facções como terroristas.
A relação entre Brasil e Estados Unidos também inclui um acordo de cooperação mútua para combater o tráfico internacional de armas e drogas, assinado em abril. Além de reuniões presenciais, os líderes já se comunicaram por telefone em pelo menos quatro ocasiões, sendo a mais recente, e a mais longa, com duração de 1h20, realizada em agosto. Essa conversa foi iniciativa do presidente brasileiro, com o propósito de retomar negociações comerciais e discutir conflitos internacionais.



