Dois dias após a derrota nas eleições de meio de mandato, o presidente Donald Trump lida com um cenário político distinto daquele desde janeiro de 2025, quando iniciou seu segundo mandato. Os democratas conquistaram o controle da Câmara de Representantes e do Senado, e pretendem usar as maiorias para reduzir preços e combater o que chamam de "cartel" na Casa Branca.
Conforme a apuração dos votos até a manhã desta quinta-feira, os democratas terão 54 das 100 cadeiras do Senado, além de ampla maioria na Câmara dos Representantes. O líder democrata na Câmara, Hakeem Jeffries, afirmou na quarta-feira que a "corrupção em larga escala" sofrida pelo país sob o "cartel de Trump" explica a demora em ajudar os cidadãos comuns. "Isso vai mudar imediatamente", declarou, acrescentando que os democratas farão com que "os criminosos prestem contas".
O vice-presidente JD Vance se distanciou publicamente de Trump ao afirmar, na quarta-feira, que a guerra no Irã foi a "razão" da derrota republicana, mensagem que pode abrir caminho para sua própria candidatura presidencial em 2028. Trump reconheceu que a declaração de Vance era "em grande parte verdade, pois provocou a alta no preço da gasolina", um dos fatores-chave para o revés. Ainda assim, disse que se tivesse que fazer de novo, faria, porque a longo prazo essa é a única solução para impedir que o Irã tenha uma arma nuclear.
O presidente também minimizou o resultado ao exibir, na quarta-feira, o mármore e as colunas coríntias de seu novo salão de baile em construção, com custo de 400 milhões de dólares (R$ 2,1 bilhões). Segundo a agenda da Casa Branca, Trump não tinha eventos públicos programados para esta quinta-feira. A primeira-dama, Melania Trump, deve receber representantes ucranianos e russos na Casa Branca, antes das negociações em Abu Dhabi sobre o possível fim da guerra entre os dois países.
Trump afirmou que pretende usar seu poder de veto contra iniciativas da oposição que não lhe agradem e previu que um novo processo de impeachment, que seria o terceiro durante seus mandatos, "destruiria" o Partido Democrata. O governador republicano da Flórida, Ron DeSantis, declarou que a derrota se aproxima de um "evento de nível de extinção" para os republicanos em muitas partes do país, algo que provavelmente não se via nos últimos 100 anos. "Isso vai durar muito mais do que dois anos", disse, acrescentando que provavelmente este é o pior cenário político possível para uma eleição de meio de mandato.



