O governo do Brasil manifestou surpresa com a decisão da União Europeia de excluir o país da lista de nações autorizadas a exportar produtos de origem animal para o bloco, anunciada na terça-feira (12). A interrupção das exportações, no entanto, não afetará imediatamente as transações, segundo informações oficiais. O motivo da decisão se relaciona ao uso excessivo de antibióticos, uma alegação que o governo brasileiro não conseguiu refutar.
Em resposta à suspensão, o governo Lula anunciou que tomará as medidas necessárias para tentar reverter a decisão e que o chefe da Delegação do Brasil junto à UE se reunirá nesta quarta-feira (13) com autoridades sanitárias do bloco para discutir a situação e buscar esclarecimentos sobre a medida adotada.
A lista que foi publicada, validada por países da UE, determina quais países terceiros, incluindo Argentina, Colômbia e México, continuarão a exportar carne para a Europa, a partir de setembro, por estarem em conformidade com as normas sanitárias europeias. A atualização dessa lista poderá ocorrer em breve, dependendo das respostas que as autoridades brasileiras fornecerem a Bruxelas.
A divulgação da lista reflete um desejo da União Europeia de reforçar a vigilância, especialmente após críticas do setor agrícola e do governo francês em relação à assinatura de um acordo de livre comércio com os países do Mercosul, que inclui Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Esse acordo entrou em vigor em 1º de maio de forma provisória, enquanto aguarda uma decisão judicial na Europa sobre sua legalidade.
Christophe Hansen, comissário europeu para a Agricultura, destacou que os agricultores europeus seguem padrões rigorosos de saúde e uso de antimicrobianos, e que é legítimo que produtos importados estejam sujeitos às mesmas exigências. A decisão tomada pela UE ressalta a eficácia do sistema europeu de controle.
As normas estabelecidas pela União Europeia proíbem o uso de antimicrobianos em animais para promover o crescimento ou aumentar a produção. Além disso, é vedado o tratamento de animais com antibióticos que são reservados para infecções humanas. Essas diretrizes fazem parte da política da UE para combater a resistência microbiana e evitar o uso desnecessário de antibióticos.



