O senador Cleitinho, do Republicanos de Minas Gerais, utilizou o Plenário do Senado na última terça-feira, dia 14, para pleitear a reabertura do debate acerca da aplicação da pena de morte no Brasil, especialmente para os crimes considerados hediondos. Essa manifestação foi desencadeada pela repercussão de um crime recente em Fortaleza, no Ceará, que resultou na morte de uma bebê de apenas 10 meses, cuja investigação apura suspeitas de violência sexual. O parlamentar argumentou que crimes dessa gravidade demandam uma resposta severa do Estado, propugnando por uma reforma na legislação penal.
A Constituição Federal, promulgada em 1988, estabelece uma proibição absoluta da pena de morte, permitindo apenas sua aplicação em casos militares em tempos de guerra externa declarada. Essa disposição é considerada uma cláusula pétrea, ou seja, não pode ser modificada ou revogada por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), o que representa um obstáculo significativo para a proposta do senador.
Para contornar essa barreira constitucional, Cleitinho sugeriu a convocação de uma Assembleia Constituinte, visando a elaboração de um novo texto constitucional que possibilite a reintrodução da pena de morte. “Temos que debater isso urgentemente e fazer uma nova Constituição para permitir a pena de morte”, enfatizou o senador.
Além das restrições impostas pela legislação nacional, o Brasil é signatário da Convenção Americana sobre Direitos Humanos, também conhecida como Pacto de São José da Costa Rica. O artigo 4º desse tratado internacional proíbe os países que já aboliram a pena de morte de restabelecê-la em qualquer circunstância. Essa norma cria um bloqueio normativo adicional que dificulta a reintrodução da pena capital no país.
A discussão sobre a pena de morte no Brasil suscita um debate amplo e complexo sobre Direitos Humanos e a eficácia das penas aplicadas a crimes graves, refletindo a necessidade de uma análise cuidadosa das propostas apresentadas no Senado.



