A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) dirigiu um apelo ao Supremo Tribunal Federal (STF) para dar prosseguimento às investigações que têm sido objeto de discussão na Corte recentemente. Em nota, a entidade enfatizou que, para o setor produtivo, a segurança jurídica é fundamental, impactando diretamente a atuação de quem trabalha, produz, emprega e investe.
O presidente da Faesp, Tirso Meirelles, destacou a importância de se manter as apurações sobre a conduta do ministro Alexandre de Moraes em relação ao Banco Master. Ele enfatizou a necessidade de transparência, respeito à Constituição e um equilíbrio adequado entre os Poderes. A nota da federação também ressalta que as investigações não devem ser seletivas e que, quanto maior a responsabilidade institucional, maior deve ser o compromisso de prestar contas à sociedade.
A questão em pauta no STF surge em um momento crítico, pois antecede o julgamento da Petição 16.662, que abrange informações obtidas a partir do celular de Daniel Vorcaro. A expectativa é que o plenário avalie se existem elementos suficientes para investigar Moraes em função de sua relação com o banqueiro.
No dia 1º de setembro, o ministro André Mendonça divulgou um relatório da Polícia Federal que contém mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro, além de registros de encontros e informações sobre transações envolvendo o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci, esposa do ministro. A PF detectou 52 mensagens trocadas entre dezembro de 2023 e novembro de 2025. O relatório também revelou a participação de Moraes na análise e edição de um contrato de R$ 130 milhões entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes.
A divulgação deste documento gerou uma crise no STF, levando Moraes a alegar indícios de abuso de autoridade e crime de responsabilidade por parte de André Mendonça, solicitando que a conduta de seu colega fosse investigada. A análise do comportamento de Mendonça está programada para ser discutida pelo plenário do STF no dia 23 de setembro.
Entretanto, antes do julgamento desta terça-feira, uma nova controvérsia surgiu. A Procuradoria Geral da República (PGR) defendeu o arquivamento do relatório produzido pela PF, alegando que houve irregularidades na sua origem. A PGR sustentou que a elaboração do documento foi determinada sem a comunicação prévia à Presidência do STF e sem a devida submissão ao plenário.



