O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), considerado um dos principais pilares de apoio da direita, terá uma participação restrita na campanha de seu filho, Flávio Bolsonaro (PL), que disputa a presidência. Devido a sua prisão por tentativa de golpe de estado, Jair está impedido de comparecer a atos de campanha e de se manifestar nas redes sociais, um espaço onde possui grande engajamento com seus eleitores.
Apesar das limitações, a equipe de campanha de Flávio planeja utilizar a imagem de Jair nas peças publicitárias, não apenas como um apelo aos eleitores do ex-presidente, mas também para posicioná-lo como uma figura de vítima política, antagonizando o Supremo Tribunal Federal (STF) e o presidente Luiz Inácio Lula (PT). O deputado Eduardo Bolsonaro, que se encontra em autoexílio nos Estados Unidos, deverá ter um papel semelhante em reforçar essa narrativa.
A campanha do PL enfrenta um desafio complexo: deve explorar a imagem de Jair para mobilizar seus apoiadores, ao mesmo tempo em que precisa apresentar Flávio como um candidato atrativo para os eleitores indecisos que não apoiam Jair. Um dos objetivos centrais é suavizar a imagem de Flávio, uma estratégia apoiada por aliados do Centrão e da direita moderada.
Flávio Bolsonaro, que entrou para o Congresso em 2019, é conhecido por manter um diálogo mais aberto com políticos de centro e até da esquerda. Durante o governo de seu pai, ele adotou um discurso mais radical, mas agora busca uma abordagem oposta. Considerado menos carismático em comparação aos irmãos, o senador tenta se inspirar em Jair para transmitir uma imagem autêntica, mas sem a rigidez que caracteriza o ex-presidente.
Os assessores de Flávio acreditam que é aceitável desagradar parte da base de direita em busca de novos públicos. Para eles, os votos dos apoiadores mais fervorosos de Jair estão garantidos, independentemente das posições que o candidato vier a adotar. Contudo, a presença de Jair não será totalmente invisível; sua popularidade entre os eleitores de direita e alguns políticos ainda se mantém forte, com pesquisas indicando uma resistência ao governo atual maior até do que entre os evangélicos.
Flávio, que é o principal adversário de Luiz Inácio Lula (PT) na corrida presidencial, foi escolhido por Jair como seu sucessor, apesar de haver desconfiança entre os membros da direita. Muitos prefeririam ver o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como candidato, pois ele é visto como um moderado e é bem aceito pelo empresariado, além de ter uma rejeição menor em comparação à família Bolsonaro.


