A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro compartilhou uma imagem de um detergente da marca Ypê em suas redes sociais, no contexto de uma mobilização de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro em defesa da empresa. Essa reação se deu após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinar a suspensão da fabricação e comercialização de alguns produtos da companhia.
A decisão da Anvisa afetou lotes de detergentes, lava-roupas líquidos e desinfetantes fabricados pela Química Amparo. A agência identificou falhas nos controles de qualidade e risco de contaminação microbiológica em produtos com numeração final 1 durante inspeções realizadas.
A situação gerou uma intensa repercussão política nas redes sociais. Publicações de apoiadores do ex-presidente levantam a suspeita de que a Ypê está sendo alvo de uma perseguição política, devido a doações eleitorais feitas por membros da família Beira, controladora da empresa, à campanha de Jair Bolsonaro em 2022. Dados do Tribunal Superior Eleitoral mostram que essas doações totalizaram cerca de R$ 1,5 milhão.
Durante a campanha eleitoral de 2022, a marca já havia enfrentado boicotes promovidos por adversários do então presidente. Agora, políticos e influenciadores alinhados a Bolsonaro têm incentivado a população a adquirir produtos da Ypê. O vice-prefeito de São Paulo, Ricardo Mello Araújo, publicou vídeos convocando os consumidores a apoiarem a empresa, enquanto o deputado estadual Lucas Bove também fez comentários questionando as ações da Anvisa em relação à marca.
Influenciadores como o ator Júlio Rocha e a cantora Jojo Todynho também se manifestaram nas redes sociais, criticando a suspensão dos produtos da empresa.
Apesar da mobilização, a Anvisa reiterou a orientação para que os consumidores evitem o uso dos produtos afetados pela medida. O Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo destacou que o risco permanece até que as análises técnicas sejam concluídas, ressaltando que as irregularidades podem representar riscos à saúde.



