Nos últimos dias, aproximadamente 60 mil migrantes deixaram o Marrocos e chegaram ao enclave espanhol de Ceuta, mas a maioria já havia retornado ao país africano até este sábado (1º). As imagens da chegada em massa de migrantes à cidade autônoma despertaram uma crise diplomática na União Europeia e levantaram questionamentos sobre as razões que levaram o Marrocos a permitir a passagem de tantas pessoas.
O presidente da cidade autônoma, Juan Jesús Vivas, informou que essa quantidade representa cerca de 70% da população local, que é de aproximadamente 84 mil habitantes. O Ministério do Interior da Espanha estimou o número de chegadas em cerca de 50 mil. Para comparação, em maio de 2021, cerca de 12 mil migrantes chegaram a Ceuta em um período semelhante.
O ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, afirmou que “quase todos” os migrantes que entraram nos últimos dias já haviam retornado ao Marrocos, embora tenha reconhecido a dificuldade em fornecer números exatos. Informações do governo indicam que pelo menos 67 migrantes morreram ao tentar entrar em Ceuta.
O jornalista Ignacio Cembrero, especialista em política do Magrebe, destacou que as forças de segurança marroquinas estavam “de braços cruzados” durante a passagem dos migrantes. Ele observou que, para alcançar a fronteira entre Ceuta e o Marrocos, existem barreiras policiais que aparentemente foram ignoradas, permitindo que o fluxo de pessoas ocorresse sem resistência.
Em pronunciamento na sexta-feira, o presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, qualificou a situação como uma “violação e ataque à integridade territorial” da Espanha. Em resposta, a Associação Marroquina de Direitos Humanos (AMDH) pediu a abertura de uma investigação independente para esclarecer as causas que resultaram nesse fluxo migratório.
A crise gerou reações firmes de diversos países europeus. A Itália, com o apoio da Finlândia e da Dinamarca, anunciou a suspensão temporária do acordo de livre circulação do Tratado de Schengen com a Espanha. Esta decisão foi criticada por Madrid, e a viabilidade da sua aplicação continua incerta, segundo especialistas em direito.



