O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), não esteve presente na cerimônia de lançamento do programa do governo Lula destinado ao combate ao crime organizado, que ocorreu na manhã de terça-feira, 12, no Palácio do Planalto. Sua ausência foi notada, uma vez que Alcolumbre havia sido convidado para o evento, e acentua as tensões já existentes entre os Poderes.
De acordo com a assessoria do senador, ele estava cumprindo uma agenda institucional da Presidência do Senado e, em seguida, participaria da sessão plenária da Casa. O programa apresentado pelo governo federal prevê um investimento de R$ 11 bilhões voltados para a Segurança Pública, o sistema prisional e o combate ao tráfico de armas.
A falta de Alcolumbre no evento ocorre em um momento de desgaste nas relações entre o Palácio do Planalto e o Senado. Recentemente, o governo enfrentou duas grandes derrotas legislativas, o que elevou a percepção dentro do núcleo político de Lula sobre a deterioração da relação com o presidente do Senado.
Entre os episódios que elevaram a tensão estão a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), que foi negada por 42 votos a 34, e a derrubada do veto presidencial ao PL da Dosimetria. Apesar de alguns senadores governistas indicarem que Alcolumbre estaria mais aberto ao diálogo com o governo, sua ausência no evento sugere uma postura contrária.
Após a rejeição do nome de Messias, ministros do governo iniciaram uma série de conversas com Alcolumbre na tentativa de restaurar a comunicação entre o Senado e o Palácio do Planalto. O ministro da Defesa, José Mucio Monteiro, se reuniu com o senador em sua residência oficial no dia 5 de outubro, e dias depois, o presidente do Congresso Nacional se encontrou com o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães.
O senador Otto Alencar (PSD-BA), que preside a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e é um dos principais apoiadores da indicação de Messias ao STF, intensificou as conversas tanto com Alcolumbre quanto com Lula. Nos bastidores, Alencar trabalha para restabelecer uma interlocução entre o Senado e o governo, indicando uma maior disponibilidade do presidente do Senado.



