A Suprema Corte dos Estados Unidos voltou a ser protagonista nas discussões políticas do país ao permitir que o Alabama avance com um novo mapa eleitoral que pode prejudicar a representação negra no Congresso e beneficiar os republicanos na Câmara dos Representantes.
Com uma votação de 6 a 3, a Corte suspendeu uma decisão anterior que exigia a manutenção de dois distritos com maioria ou forte influência de eleitores negros. Essa mudança, na prática, abre espaço para que os republicanos do Alabama tentem concentrar a força eleitoral da população negra em apenas um distrito, o que pode alterar significativamente a dinâmica política do estado.
Esse caso transcende as fronteiras do Alabama, representando mais um episódio na transformação da Suprema Corte sob uma maioria conservadora. A decisão reacende o debate sobre direitos civis, a manipulação eleitoral e o futuro da Lei dos Direitos de Voto, uma das legislações mais relevantes da história dos Estados Unidos, estabelecida em 1965.
Atualmente, o Alabama possui sete cadeiras na Câmara federal. Após longas batalhas judiciais, um mapa previamente aprovado pela Justiça assegurou dois distritos onde eleitores negros tinham a real possibilidade de eleger candidatos de sua escolha. Esse redesenho contribuiu para que os democratas ampliassem sua representação nas últimas eleições.
Com a nova decisão da Suprema Corte, a possibilidade de uma reversão desse quadro se torna real. A medida é anunciada em um momento em que a Corte também limitou o alcance da legislação em um caso recente que envolveu Louisiana, indicando uma mudança significativa na interpretação da Voting Rights Act.
Especialistas em direito eleitoral ressaltam que essas decisões evidenciam uma alteração profunda na forma como a Corte aborda a proteção da representação política de minorias raciais. A juíza Sonia Sotomayor, uma das três ministros liberais, expressou preocupação, afirmando que a decisão ignora evidências de discriminação racial e cria uma situação de “caos” em um momento crítico do calendário eleitoral.



