O banqueiro Daniel Vorcaro, preso no âmbito do escândalo do Banco Master, é acusado de ter realizado pagamentos ao site Diário do Centro do Mundo (DCM) com o intuito de impedir críticas ao seu banco. A informação foi revelada pela Polícia Federal (PF) em documentos que foram enviados ao Supremo Tribunal Federal (STF) e divulgados pelo ministro André Mendonça no dia 16 de outubro de 2024.
De acordo com as investigações, Vorcaro teria pago R$ 50 mil mensalmente ao DCM para que o site deixasse de publicar notícias desfavoráveis ao Banco Master. Em mensagens que foram trocadas entre Vorcaro e Luiz Phillip Mourão, conhecido como “Sicário”, a PF identificou que o site foi “cooptado por determinação expressa” do banqueiro, que exigia uma “limpeza de imagem” e a veiculação de conteúdos que favorecessem seus interesses.
As mensagens trocadas entre os envolvidos mostram a insatisfação de Vorcaro com a cobertura negativa recebida. Em uma conversa de setembro de 2024, ele menciona a necessidade de “comprar os caras” e “derrubar o blog” após a publicação de matérias que mencionavam processos contra o Banco Master. Essa tentativa de influenciar a linha editorial, segundo a PF, compromete a independência da imprensa.
Em outra troca de mensagens, de outubro de 2024, Vorcaro expressa novamente seu descontentamento com as notícias negativas e sugere que o site poderia ser “contratado” para atacar os seus adversários. Após essa proposta, Mourão informa que o pessoal do DCM estava questionando sobre a parceria, ao que Vorcaro responde: “50k mês?”, sugerindo a continuação dos pagamentos.
A defesa do DCM, representada pelo advogado Francisco Ramos, contesta as acusações, afirmando que o site não é mencionado nominalmente nas investigações e que não há registros de pagamentos ou contratos com Vorcaro. Além disso, ressaltam que as mensagens que circulam são privadas e seu contexto é desconhecido, o que compromete a veracidade das alegações.
Ramos ainda argumenta que a associação do DCM a Vorcaro pode ser considerada “potencialmente difamatória”. A defesa do site enfatiza que o Diário do Centro do Mundo foi um dos veículos que mais criticou o Banco Master e seu proprietário, o que contraria a hipótese de uma contratação para silenciar críticas.



