O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um apelo ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, solicitando a entrega de brasileiros que estão sendo investigados por sua ligação com o Crime Organizado e que atualmente residem em Miami. A solicitação foi feita durante a cerimônia de lançamento do programa Brasil Contra o Crime Organizado, realizada no Palácio do Planalto, onde Lula anunciou investimentos de R$ 11 bilhões voltados para a Segurança Pública.
Durante a reunião bilateral, Lula enfatizou a importância da colaboração entre Brasil e EUA no combate ao narcotráfico e às organizações criminosas. Ele afirmou: "Se você quiser combater o Crime Organizado de verdade, você tem que começar a entregar alguns nossos [brasileiros] que estão morando em Miami". Além disso, o presidente brasileiro mencionou que existem propostas para asfixiar financeiramente as organizações criminosas e combater a lavagem de dinheiro, destacando que parte das armas apreendidas no Brasil tem origem nos Estados Unidos.
Lula também abordou a visão equivocada de que a violência e o tráfico de drogas são problemas exclusivamente da América Latina. Ele ressaltou a necessidade de esclarecer que essas questões têm implicações diretas para os Estados Unidos, afirmando que é importante não passar a ideia de que a desgraça está restrita ao lado sul do continente.
Embora não tenha mencionado diretamente, o presidente fez referências ao empresário Ricardo Magro, que é considerado foragido pela Justiça brasileira e vive em Miami. Magro foi mencionado em fases da Operação Carbono Oculto, uma investigação que investiga a presença do Primeiro Comando da Capital no setor de combustíveis.
Além disso, Lula observou que os líderes do Crime Organizado não estão apenas nas favelas, mas também inseridos em setores de elite econômica e institucional. "Os líderes não estão nas favelas. Estão muitas vezes infiltrados no empresariado, no Judiciário, no Congresso, no futebol, em todas as categorias", declarou o presidente, chamando a atenção para a complexidade do problema.
O presidente também anunciou a intenção de discutir com o Poder Judiciário a questão da soltura de criminosos e as decisões que permitem a liberdade de suspeitos. Ele destacou que é essencial envolver o Judiciário nas ações do Executivo para abordar essas questões de maneira mais eficaz.



