O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divulgou, nesta sexta-feira (24), que as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos afetam 23,1% das exportações brasileiras ao país. A análise revelou que 52,7% das exportações permanecem isentas de tarifas adicionais setoriais ou específicas contra o Brasil.
Desagregando os impactos tarifários, o MDIC informou que 1,9% das exportações brasileiras são afetadas exclusivamente pela tarifa de 25% prevista na Seção 301-Brasil, que inclui produtos como açúcar. Além disso, 4,7% das exportações estão sujeitas apenas à sobretaxa de 12,5%, relacionada a práticas de trabalho forçado, abrangendo itens como obras de pedra, minérios e produtos de perfumaria.
Conforme os dados, 16,5% das exportações enfrentam a combinação das duas tarifas, resultando em uma sobretaxa acumulada de 37,5%. Essa categoria inclui produtos como máquinas, equipamentos, calçados e móveis. Por outro lado, 24,2% dos produtos estão sujeitos a tarifas específicas, que são aplicadas a todos os países com base na Seção 232.
Em contrapartida, cerca de 52,7% das exportações brasileiras para os EUA permanecem livres de sobretaxas setoriais (Seção 232) e tarifas aplicadas na Seção 301, sujeitando-se apenas às tarifas ordinárias dos Estados Unidos. Entre estes produtos estão café, carnes, ferro fundido, aeronaves e suco de laranja.
A primeira decisão referente à Seção 301-Brasil foi resultado de uma investigação específica conduzida pelos EUA sobre o Brasil, que resultou na imposição de uma sobretaxa adicional de 25% para determinados produtos. No entanto, as exportações brasileiras para os Estados Unidos apresentaram uma queda significativa, totalizando US$ 37,7 bilhões em 2025, com uma trajetória de declínio mantida em 2026 devido às sobretaxas.
No primeiro semestre de 2026, as exportações para os EUA somaram US$ 17,4 bilhões, o que representa uma redução de 13% em relação ao mesmo período do ano anterior. Essa diminuição foi impulsionada principalmente pela queda nas exportações de óleos brutos de petróleo, que recuaram 30,4%, e de produtos semiacabados de ferro ou aço, que tiveram uma redução de 21,7%.



