A nona fase da Operação Compliance Zero, realizada em 18 de outubro de 2023, trouxe à luz detalhes sobre supostos repasses financeiros ilegais ao senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado. As investigações da Polícia Federal indicam que o parlamentar teria recebido vantagens ilícitas, incluindo repasses que totalizam R$ 3,5 milhões, feitos através de uma empresa vinculada à nora do político. Além disso, a operação revelou a aquisição de um imóvel de alto valor na Bahia, com o auxílio de Augusto Dias, ex-sócio de Daniel Vorcaro, que também é alvo da investigação.
Os documentos obtidos pela polícia apontam para uma transação suspeita envolvendo um apartamento localizado no Poeme Residence, unidade 1702, no bairro Horto Florestal, uma área nobre de Salvador. A investigação revelou trocas de mensagens entre Wagner e Augusto Lima, em novembro de 2024, onde se menciona que “a unidade é a 1702 e o preço é 2,45 mi”. No dia seguinte, conforme os registros, foi enviado um livro digital referente ao empreendimento.
Além disso, no mesmo período, Augusto Dias realizou uma chamada de voz com Valério Marega Júnior, identificado como operador financeiro de estruturas de fundos e sociedades associadas ao Banco Master. Durante essa conversa, foram discutidos detalhes sobre o corretor, o empreendimento, a unidade e o valor da transação.
Os registros também indicam que as negociações sobre o imóvel continuaram mesmo após a deflagração da primeira fase da operação, com o envio de minutas de cessão de direitos, videoconferências e comunicações com advogados. Esse fato sugere que, mesmo sob investigação, os envolvidos tentaram regularizar a situação do imóvel.
Em maio de 2025, Wagner enviou uma mensagem a Augusto, que tinha sido originalmente enviada por um filho, solicitando informações sobre o proprietário formal do apartamento Poème Horto, necessárias para a emissão de Registro de Responsabilidade Técnica, essencial para obras no local. O prazo estipulado para essa solicitação era 19 de maio.
Wagner repassou o pedido a Augusto, que prontamente enviou o contato de David Lopes Monteiro, um operador financeiro do grupo. A decisão judicial menciona esse episódio para enfatizar que o imóvel estava “formalmente vinculado a terceiro, em estrutura de dissimulação da titularidade real”.



