A federação composta por PT, PCdoB e Psol intensificou suas ações contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é pré-candidato à Presidência, após a divulgação de uma reportagem pelo Intercept Brasil no dia 13. A matéria revelou que Flávio teria negociado com Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, para obter recursos destinados ao financiamento do filme 'Dark Horse', que retrata a eleição de Jair Bolsonaro (PL) em 2018.
De acordo com a reportagem, o Intercept Brasil possui documentos que comprovam as transações financeiras, embora não tenha apresentado os comprovantes ou detalhado como obteve as informações sobre os valores mencionados. As transferências financeiras teriam sido realizadas por meio da empresa Entre Investimentos e Participações, em favor do fundo Havengate Development Fund LP, que está localizado no Texas, Estados Unidos. O advogado Paulo Calixto, que representa Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, é identificado como um dos envolvidos no fundo. A Entre Investimentos é controlada por Antonio Carlos Freixo Júnior, que também é responsável pela revista IstoÉ.
No contexto político, deputados solicitaram ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), a criação de uma CPI para investigar irregularidades relacionadas ao Banco Master. Ao mesmo tempo, senadores das legendas envolvidas estão planejando levar a questão ao Conselho de Ética do Senado. No âmbito judicial, as siglas solicitaram à Receita Federal informações sobre a origem dos R$ 61 milhões mencionados e apresentaram uma representação à Polícia Federal, que inclui pedidos de quebra de sigilo e busca e apreensão contra Flávio Bolsonaro.
Em uma nota, Flávio Bolsonaro admitiu ter buscado patrocínio de Vorcaro, mas negou qualquer oferta de benefício político e não forneceu detalhes sobre os valores envolvidos. "Mais do que nunca é fundamental a instalação da CPI do Banco Master", afirmou Flávio. "É preciso separar os inocentes dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet. Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia terminado e quando não havia acusações ou suspeitas públicas sobre o banqueiro. O contato foi retomado quando houve atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme. Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem. Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro. Por isso, reitero, CPI do Master já."



