María Esther Bernal, de 71 anos, expressou sua revolta ao relatar a devastação vivida por comerciantes da região, que tiveram seus imóveis saqueados: "Não deixaram nem o papel de parede", lamentou. Ela mencionou um incidente em que um idoso foi ignorado enquanto as pessoas saqueavam um supermercado próximo ao seu corpo.
Os moradores exigem não apenas uma resposta mais eficaz das autoridades em relação ao resgate, mas também a necessidade urgente de segurança, alimentos, água e medicamentos. O governo, por sua vez, militarizou a área e estabeleceu restrições de acesso, exigindo um salvo-conduto emitido por autoridades militares em Caracas.
Zulay de Carvajal, de 72 anos, também relatou a perda total de seus bens, afirmando: "Roubaram tudo de nós: roupas, sapatos, panelas, xícaras, copos". Em outro vídeo, um homem é visto expulsando militares e agentes públicos de sua casa, enquanto protestava contra a situação: "Eles continuam tirando as coisas, eu não aguento mais".
Marino Alvarado, ex-coordenador da ONG de direitos humanos Provea, fez uma comparação com a devastação ocorrida em 1999, quando La Guaira foi atingida por chuvas e deslizamentos de terra, resultando em mais de 10 mil mortes. Ele ressalta que a criminalidade e os abusos policiais são fenômenos que tendem a se repetir em situações de crise.
Após saques em uma das unidades da rede de farmácias Farmatodo, a empresa, em parceria com a comunidade, limpou o local, que agora abriga uma clínica de atendimento primário.



